Japão retoma o poderio militar: "Resposta à China"

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05 Agosto 2026

O primeiro-ministro Takaichi apresenta o novo Livro Branco da Defesa enquanto o país se prepara para comemorar o aniversário de Hiroshima. O documento destaca os investimentos na indústria de defesa, inteligência artificial e exportação de armamentos.

A reportagem é de Annachiara Mottola da Amato, publicado por El País, 05-08-2026.

Enquanto se prepara para comemorar a tragédia de Hiroshima, o Japão vira a página do pacifismo. Ontem, dois dias antes do 81º aniversário da bomba atômica que pulverizou uma cidade inteira em questão de segundos, Tóquio apresentou seu novo Livro Branco da Defesa: quase 600 páginas que traçam o rumo de um país determinado a fortalecer sua indústria militar, investir em inteligência artificial e expandir as exportações de armas.

Essa mudança de direção abre um debate sobre o legado de 6 de agosto de 1945, ainda profundamente enraizado na sociedade japonesa. Este é o passo mais recente do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, uma líder conservadora e aliada de Trump, para acelerar a transformação da política de segurança em um ritmo sem precedentes (a defesa agora representa 2% do PIB, o nível mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial).

O documento se baseia em um retrato das profundas mudanças na região do Indo-Pacífico. China, Rússia e Coreia do Norte são identificadas como as principais ameaças ao arquipélago. Pequim — devido ao seu rápido rearme e à expansão de suas capacidades navais e de mísseis — é definida como "o desafio estratégico mais significativo", enquanto Pyongyang se preocupa com seus avanços em armas hipersônicas e com o fortalecimento da cooperação militar com Moscou. As tensões em relação a Taiwan, um campo de batalha cada vez mais sensível com a China, também estão no horizonte.

Mas o Livro Branco não é apenas um documento estratégico; ele representa um manifesto de política industrial. Pela primeira vez, a defesa é apresentada abertamente como um setor capaz de impulsionar o crescimento econômico, fomentar a inovação e criar novas cadeias produtivas. O governo está focando em tecnologias de dupla utilização, tanto civil quanto militar, e incentivando o surgimento de startups especializadas. Entre as prioridades estão os drones de combate de baixo custo, agora considerados indispensáveis ​​após as lições aprendidas com a guerra na Ucrânia.

Na realidade, a mudança já havia começado nos últimos meses, com o afrouxamento progressivo das restrições que limitavam as vendas de armas ao exterior há décadas. Enquanto isso, Takaichi continua a reiterar que o país não renunciará à sua identidade como uma "nação amante da paz". Mas o contraste permanece, tanto que até mesmo a comunicação institucional do Livro Branco busca tranquilizar: a capa não apresenta tanques ou drones, apenas uma família sorridente imersa em uma cidade futurista desenhada em estilo anime.

O Livro Branco de Defesa Do Japão. Foto: Ministério de Defesa do Japão

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