Teólogo dogmático nega a interpretação de Peter Thiel sobre Bento XVI

Foto: KNA/Wolfgang Radtke | Katholisch

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24 Julho 2026

Segundo Bernhard Mallmann, Peter Thiel, em suas teorias apocalípticas, faz referência ao Papa Bento XVI, mas chega a conclusões diferentes. "Peter Thiel e Joseph Ratzinger pensam apocalipticamente. Um imagina o fim do mundo, o outro fala da grande esperança de salvação pelo juízo", escreveu o teólogo dogmático vienense na terça-feira na revista "Communio".

A informação é publicada por Katholisch, 21-07-2026.

Mallmann analisa o artigo de Thiel intitulado "O Papa e o Anticristo" na revista americana First Things: Thiel está correto em sua avaliação de que Ratzinger ponderou sobre as questões do fim desde o início de sua obra teológica até o seu término. No entanto, o apocalipse (revelação), que Ratzinger entendia como um modo de vida nos últimos tempos, não confere conhecimento esotérico sobre o tempo e a hora, mas revela uma experiência mística da relação com Cristo.

Segundo Mallmann, o amor de Deus encarnado em Jesus Cristo é o centro do pensamento de Ratzinger. Não é o progresso tecnológico que Thiel exalta que redime a humanidade, "mas sim esta simples e fundamental necessidade humana de viver em comunhão e de ter uma relação com Deus".

O que significa apocalipse?

Segundo Mallmann, o apocalipticismo deixa clara a postura esperançosa de que a história não se completa nem se redime por si só, mas que Deus, em sua misericórdia, conduzirá tudo ao bem e à abundância. A esperança apocalíptica não especula sobre tempos e pessoas "como uma espécie de roteiro para o fim dos tempos", mas reconhece o "ato salvador e julgador de Deus", enfatiza o teólogo.

O apocalipticismo, portanto, não é clarividência "que nos domina irrevogavelmente com um terror paralisante", nem permite conclusões extraídas de circunstâncias históricas. Pelo contrário, o conhecimento da salvação em Jesus Cristo dissipa o medo do fim. Segundo Ratzinger, a pessoa de Jesus de Nazaré oferece confiança em tempos de tribulação e convida à fé. Thiel, por outro lado, não pensa "na lógica do pessoal", mas sim "nas categorias do cosmos e em algoritmos", derivando fatos de fenômenos naturais.

Thiel: Hans Küng como o Anticristo

Segundo Mallmann, Thiel identifica o Anticristo com Hans Küng com base nas experiências biográficas de Ratzinger em Tübingen. Thiel considera o projeto Ética Global, de Küng, que defende a paz entre religiões e culturas, como a posição do Anticristo. Thiel está agora forjando "suas alianças apocalípticas" contra "inimigos como Küng" (nas palavras do próprio Thiel). Na realidade, as visões de Thiel não são tão distantes daquelas pelas quais ele acusa Küng.

Ratzinger de fato encarou o projeto Ética Global de forma crítica. Segundo Mallmann, porém, Ratzinger alertaria contra a simplificação excessiva na interpretação de Thiel. Ratzinger não vê as coisas em preto e branco, mas pondera as opções e é capaz de enxergar e aceitar o bem mesmo quando suas convicções não o apoiam plenamente. A batalha apocalíptica não é travada entre Ratzinger e Küng, mas, numa leitura espiritual, diz respeito a cada indivíduo.

Ratzinger vê os desenvolvimentos tecnológicos promovidos por Thiel não como uma solução, mas como um problema: "Ratzinger identifica a verdadeira ameaça à humanidade em um desenvolvimento tecnológico que Peter Thiel está ativamente impulsionando com investimentos. É a ameaça das armas nucleares e a tentação da auto-otimização constante que, em última análise, ameaçam a destruição da humanidade." Aqui, Ratzinger se opõe a Thiel. Ele nos lembra "que o progresso tecnológico desenfreado pode colocar a humanidade em perigo se não for acompanhado por um espírito de responsabilidade." 

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