Teólogo critica Thiel: Ratzinger não via Küng como o Anticristo

Bento XVI (Foto: Pe. Marcelo Tenorio | Wikimedia Commons)

Mais Lidos

  • Mais uma vez nos dizem que a IA pode ser consciente – eu estudo consciência e tenho minhas dúvidas. Artigo de Anil Seth

    LER MAIS
  • “Dados indicam que a Amazônia se aproxima cada vez mais de um ponto de não retorno, principalmente como resultado da combinação entre o desmatamento acumulado no sistema, as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global e os vários fatores de degradação florestal”, afirma o pesquisador

    Capacidade de recuperação da Amazônia é limitada: centro do mundo encontra-se ameaçado por práticas predatórias e ilegais. Entrevista especial com Bernardo Flores

    LER MAIS
  • "Se Trump perder as eleições de meio de mandato, ele invalidará a votação, arriscando um golpe”. Entrevista com Robert Kagan

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

18 Julho 2026

A série de palestras do bilionário da tecnologia Peter Thiel sobre o Anticristo causou polêmica recentemente. Em um dos textos, Thiel cita Bento XVI. O teólogo dogmático vienense Jan-Heiner Tück critica essa citação.

A informação é publicada por katolisch.de, 16-07-2026. 

O teólogo dogmático vienense Jan-Heiner Tück criticou as declarações do bilionário americano da tecnologia e ativista político de direita Peter Thiel sobre o Papa Bento XVI.

"Teologicamente, o maior problema na recepção de Ratzinger por Peter Thiel reside no fato de ele ignorar a centralidade cristológica do tempo e da história na obra de Ratzinger", disse Tück na quinta-feira. "O fim já começou em Jesus Cristo. Ele é o Alfa e o Ômega. O medo do fim, a preocupação com um poder moderador que impeça o Anticristo e a crise apocalíptica, é transformado na obra de Ratzinger pela esperança de que Cristo trará a salvação por meio do juízo." O fato de a verdade, que julga, ter irrompido para salvar é a "reinterpretação redentora do conceito de juízo" pela teologia cristã.

Em um ensaio publicado na quarta-feira na revista conservadora First Things, Thiel escreveu sobre seu interesse no Anticristo. Ele observou que ninguém está falando atualmente sobre o Anticristo — "o que, ao longo de grande parte da história cristã, teria sido considerado um sinal claro de sua chegada iminente". Em seu texto, o autoproclamado protestante Thiel se refere a Bento XVI (2005-2013). O antigo papa estava firmemente convencido de que estava vivendo nos últimos tempos, escreve Thiel. "Essa afirmação nos choca porque Bento escolheu falar abertamente sobre esse assunto apenas nos últimos anos de sua vida — numa época em que já havia renunciado ao papado, seus aliados haviam sido afastados da liderança do Vaticano e quase ninguém mais o ouvia", escreve o empresário. "Nunca saberemos por que ele esperou tanto tempo."

Küng, o Anticristo?

"Ratzinger certamente tem consciência do fim dos tempos, que ele interpreta espiritualmente em termos de vigilância", disse Tück. O pensamento de Ratzinger é influenciado principalmente por Santo Agostinho de Hipona, que internalizou a ideia de um reinado de paz de 1 mil anos. "O mal já foi derrotado, Cristo já começou seu reinado – e o tempo da Igreja é o interregno do reinado de paz de 1 mil anos, que será levado à perfeição através da Parusia e do Juízo Final."

Tück também criticou as declarações de Thiel sobre o teólogo de Tübingen, Hans Küng, que faleceu em 2021. Thiel sugere em vários pontos de seu texto que o Cardeal Joseph Ratzinger via Küng como o Anticristo. Thiel se refere ao "Breve Conto do Anticristo", do filósofo religioso russo Vladimir Solovyov. Publicado em 1900, o livro é uma narrativa apocalíptica sobre o surgimento do Anticristo no fim dos tempos. Bento XVI fez referência ao romance, entre outras obras, em seu livro Jesus de Nazaré".

“A ideia de que Ratzinger via o Anticristo em seu antigo colega de Tübingen, Hans Küng, a quem concedeu uma audiência logo no início de seu pontificado, em 2005, é uma construção ousada”, disse Tück. “O humanismo inter-religioso que coloca entre parênteses a singularidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo poderia, com alguma ressalva, ser relacionado ao projeto de Ética Global de Küng. No entanto, Thiel, em seu ensaio escrito em coautoria com Sam Wolfe, ignora o fato de que o Anticristo de Solovyov foi tema de uma tese de doutorado na Faculdade de Teologia Protestante da Universidade de Tübingen.”

Além disso, o Papa Bento XVI incluiu o tema do Anticristo em seu livro sobre Jesus para “problematizar uma exegese histórico-crítica que parte da premissa subjacente de que Deus não pode agir na história”.

Leia mais