Evento debate os modos de vida alternativos e comunitários a partir das conexões com o meio ambiente no Instituto Humanitas Unisinos – IHU nesta quinta-feira, 23-07-2026, às 17h30min
Vivemos neste mundo vasto e terreno e é nele que o ser individualista percebe-se afastado de seu próprio eu. É num ambiente empobrecido pelas práticas neoliberais fomentadas pelo capitalismo que humanos se afastam de sua verdadeira essência: a de ser natureza.
A vida como natureza é coletiva. Ela parte do pressuposto de que humanos e mais-que-humanos coexistem em um mesmo todo, portanto, são parte de um ecossistema que se conecta. Quando respiramos e ouvimos os sons que cada vida manifesta, sentimos que todos são importantes no planeta, inclusive as formigas que são responsáveis por aerar a terra, reciclar matéria orgânica e dispersar sementes.
A natureza fala por si só através da brisa da manhã, do vento que faz as folhas das árvores caírem, dos mares que se agitam e acalmam, das nuvens que se movimentam e viram tempestades, dos pássaros que cantam e alcançam um quarteirão todo, a partir da preguiça que abraça a árvore, dos pinguins que migram atrás de comida, das capivaras que descansam na sombra e todas as vidas que semeiam na Terra.
É por isso que vivenciar a natureza e se colocar como parte dela no cosmos é fundamental para garantirmos um futuro não hostil para todos. Acordar para o que é importante e largar mão das práticas predatórias ligadas ao consumismo se faz mais do que necessário para nos desvincularmos da solidão e deixarmos de beneficiar aqueles 1% que comem o mundo.
Afinal, se continuarmos matando o meio ambiente em que vivemos e condenando espécies à extinção, o que será de nossa casa comum?
A vida não é somente um direito humano. Ao contrário disso, sem outras vidas não há nenhuma vida, pois tudo o que somos é natureza e se o restante dos seres vivos morre, logo deveremos partir deste mundo também. Engana-se quem acredita em promessas de bilionários sobre uma nova vida em Marte ou na Lua. Todos fora de sua bolha egocêntrica sabem que tudo o que temos é muito maior do que qualquer possível vida fora de nosso ecossistema vasto e natural.
Não há quem não se transforme ao descobrir tal segredo, de que somos parte deste todo e que tanto nós humanos quanto os mais-que-humanos merecem viver em harmonia e conectividade real com o espaço na qual habitamos.
Nesta quinta-feira, 23-07-2026, o ambientalista MS Jorge Moreira debate sobre como podemos nos conectarmos com o meio ambiente no evento "Tocar-no-mundo: vivências transformadoras da relação com a natureza" promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A videoconferência será transmitida ao vivo, às 17h30min.
No artigo "A ecologia espiritual é também uma individuação", Moreira comenta que a ecologia é "uma teia de vida que tudo une, biota e abiota, patente no fluxo de matéria e energia nos ecossistemas. Nada consegue sobreviver sozinho, quanto mais evoluir. O ser humano, tal como os outros seres, são elos dessa enorme cadeia de vida". Ou seja, somos a base de um ecossistema que coexiste, interligando-se constantemente, algo que os povos originários já compreenderam e que todos precisamos entender.
A partir do estudo "Caminhos Regeneradores para Tocar-no-Mundo: Vivências Transformadoras da Relação com a Natureza", o autor destaca que os modos de vida alternativos e comunitários podem gerar processos de transformação pessoal e coletiva na relação com a natureza, contribuindo para superar as formas de alienação próprias da modernidade tardia.
Baseado nos retratos sociológicos de Bernard Lahire com observação participante em comunidades sustentáveis intencionais, Moreira faz uma análise de como os indivíduos aprendem a viver em interdependência com o mundo natural, reconstruindo laços de cuidado, pertencimento e reciprocidade. É através do conceito de ressonância de Hartmut Rosa que este estudo segue ao revelar vivências profundamente transformadoras, marcadas por uma relação sensível com os mais-que-humanos a partir de práticas ecoespirituais, agroecológicas e comunitárias. Tudo isso parte de um pressuposto do bem-viver inspirado nas cosmovisões dos povos andinos, contribuindo assim para a regeneração das relações socioecológicas e afetivas.
O quê: "Tocar-no-mundo: vivências transformadoras da relação com a natureza"
Quando: 23-07-2026, às 17h30min
Quem: Jorge Moreira é ambientalista e investigador. Licenciado em Ciências do Ambiente, minor em Conservação do Patrimônio Natural, mestre em Cidadania Ambiental e Participação pela Universidade Aberta, e doutorando em Sociologia pela Universidade de Coimbra. É bolsista FCT e investigador do Centre for Functional Ecology, Science for People & the Planet da Universidade de Coimbra, Grupo Societies and Environmental Sustainability.
Onde assistir: www.ihu.unisinos | YouTube do IHU | Facebook do IHU
Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias