08 Julho 2026
O cardeal britânico e frade dominicano Timothy Radcliffe esclareceu seu papel em uma missa de ação de graças por um casal do mesmo sexo. Ele não participou de nenhuma bênção formal da união, declarou Radcliffe ao site AdVaticanum no último fim de semana. "Não dei bênção a ninguém, nem sabia que bênçãos seriam dadas", afirmou o cardeal.
A reportagem é publicada por Katholisch.de, 07-07-2026.
Em meados de junho, um casal gay que se conheceu em 1976 e se dedica ao acompanhamento pastoral de pessoas LGBTQ+ celebrou uma "missa de ação de graças por 50 anos de amizade, parceria e compromisso com a busca por justiça" em Londres. Radcliffe, que também se dedica ao trabalho pastoral de pessoas queer há décadas, proferiu o sermão. A organização católica LGBTQ+ New Ways Ministry participou da cerimônia. Segundo um artigo publicado pela organização, o casal recebeu uma bênção de todo o clero presente no altar no fim da missa. Uma bênção final também foi recitada. Portais online conservadores também cobriram a cerimônia.
O cardeal rejeitou as interpretações de que a missa tinha como objetivo celebrar relacionamentos homossexuais. "Retratá-la dessa forma seria deturpá-la. Fazer isso com o propósito de criar um escândalo seria moralmente errado." Ao mesmo tempo, ele criticou indiretamente o fato de o próprio New Ways Ministry ter noticiado a missa. "Por que a confidencialidade não foi mantida, eu não sei. Seria, portanto, contrário à vontade da Igreja, como eu a entendo, tornar isso ainda mais público escrevendo artigos sobre o assunto."
"Ocasião privada"
As diretrizes estabelecidas pela igreja de acordo com o princípio da Fiducia supplicans estipulavam que tal ocasião deveria ocorrer em caráter privado para evitar quaisquer mal-entendidos, enfatizou Radcliffe. Também havia sido acordado que o próprio culto deveria ser privado.
Mesmo em seu sermão, ele não abordou o relacionamento do casal, mas falou de forma geral sobre amizade. "Eu disse que amizade é uma participação na vida de Deus. Isso é completamente ortodoxo", disse o cardeal. "A missa foi uma celebração de todas as amizades."
Com a Fiducia suppplicans, o Dicastério para a Doutrina da Fé publicou, em dezembro de 2023, sob o pontificado do Papa Francisco, um documento que, pela primeira vez, permitiu à Igreja abençoar pessoas em uniões homoafetivas. Contudo, o Vaticano enfatizou que tais bênçãos não devem ser ritualizadas ou formalizadas, mas sim breves e espontâneas.
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