16 Junho 2026
Mairu era doutorando em Direito na França e se tornou uma referência para jovens indígenas de diferentes etnias.
A informação é publicada por Brasil de Fato, 15-06-2026.
O pesquisador e ativista indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá morreu aos 30 anos. A causa da morte não foi divulgada. Reconhecido pela atuação em defesa dos direitos dos povos originários e pela produção de conhecimento a partir das perspectivas indígenas, Mairu era doutorando em Direito na França e se tornou uma referência para jovens indígenas de diferentes etnias.
Natural da Terra Indígena São Domingos Krehawã, em Mato Grosso, Mairu era graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Durante o ensino médio, trabalhou na limpeza de banheiros para custear os estudos após receber uma bolsa parcial em uma escola particular de Goiás.
Em entrevista ao g1 em 2024, ele relatou a rotina de trabalho durante esse período. “Limpava banheiros de segunda a sexta-feira, além de domingos e feriados”, afirmou. Na mesma entrevista, destacou a importância da presença indígena nos espaços acadêmicos. “Me ver nesse lugar é algo muito especial para mim e inspirador para o meu povo”, disse.
Mairu atuava como diretor-geral de operações da Biofix Brasil, empresa especializada em soluções ambientais. Também integrou o Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas da Universidade de Brasília, foi coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da língua e da cultura do povo Iny Karajá.
Ao longo da trajetória, participou de debates sobre direitos indígenas, políticas públicas e produção de conhecimento em espaços nacionais e internacionais. Sua atuação esteve voltada à valorização dos saberes dos povos originários e ao fortalecimento da participação indígena na pesquisa e na formulação de políticas públicas.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas afirmou que Mairu construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a valorização dos saberes indígenas e a defesa dos direitos dos povos originários. Segundo a pasta, ele se tornou uma referência para jovens indígenas de diferentes povos e demonstrou que “a ocupação dos espaços acadêmicos e institucionais pode caminhar lado a lado com o fortalecimento das identidades, das línguas e dos conhecimentos ancestrais”.
“Sua atuação contribuiu para ampliar a visibilidade das pautas indígenas e fortalecer o protagonismo dos povos originários na produção de conhecimento e na defesa de seus direitos”, diz um trecho da nota.
Nas redes sociais, lideranças indígenas, pesquisadores, ativistas e integrantes de organizações ligadas ao movimento indígena prestaram homenagens e destacaram o legado deixado por Mairu. As manifestações ressaltaram sua atuação na preservação da língua Inyrybè, o compromisso com a cultura do povo Iny Karajá e sua trajetória acadêmica, que o levou da comunidade indígena ao doutorado no exterior.
Em uma das declarações sobre seu trabalho e seus objetivos, Mairu afirmou. “Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos”.
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, liderança do povo Iny Karajá, doutorando na UnB, dedicou a vida à defesa dos direitos indígenas.
— Célia Xakriabá (@celiaxakriaba) June 14, 2026
Sua partida é uma perda irreparável para os povos originários e para o Brasil.
Que sua memória siga caminhando com o povo. 🏹🖤 pic.twitter.com/RrNqzAqlJv
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