16 Junho 2026
No século dos meios de comunicação de massa, algumas grandes figuras personificam um paradigma humano e cristão feito de silêncio, humildade, diligência e serviço: uma profecia para os dias de hoje.
O artigo é de Sergio Di Benedetto, publicado por Vino Nuovo, 15-06-2026.
Eis o artigo.
Há alguns dias, comemoramos o centenário da morte de Antoni Gaudí, que, como é sabido, morreu em extrema pobreza. Ele foi atropelado por um bonde e confundido com um mendigo, e somente dois dias depois foi reconhecido como o arquiteto da Sagrada Família. Mas sua vida, embora repleta de grandes obras e intuições artísticas, foi, especialmente em seus últimos anos, uma vida longe dos holofotes da celebridade; ao escolher uma vida de pobreza e humildade, inteiramente dedicada à arte e à Sagrada Família, ele se obrigou à obscuridade. O célebre arquiteto, que também se obrigou a mendigar, acreditava que "o artista deve ser um monge": dedicado à grandeza da obra, e não à sua própria grandeza.
Aqui, em uma grande figura que construiu arquiteturas únicas e extraordinárias, conciliando modernidade, arte, estética e fé, há um traço comum com outras figuras que, a meu ver, podem encarnar e comunicar o que é um paradigma do século XX, também válido para a contemporaneidade: o paradigma — humano e cristão — do silêncio, da humildade, do ocultamento e do serviço.
Há sempre santos que, interpretando profeticamente os tempos, vivem coordenadas existenciais provocativas e fecundas para a sua época; isso aconteceu, por exemplo, com Francisco de Assis na Itália da Baixa Idade Média; aconteceu com Teresa de Ávila no alvorecer do Barroco; aconteceu com os santos sociais do século XIX. Em suma, cada época tem homens e mulheres que redescobrem um talento evangélico para ser usado em uma época, dando-lhe sentido, direção e horizonte.
No século XX, parece-me que esse papel fundador pertenceu a Charles de Foucauld: a escolha do ocultamento, do deserto, do serviço aos pobres de outra fé (os tuaregues); a "escolha de Nazaré" como paradigma cristão, no século da mídia de massa e da propaganda, foi profecia e fecundidade. Seu próprio "fracasso existencial" — assassinado por um menino durante um assalto, sem sequer um discípulo, quase esquecido por vários anos, até que René Voillaume reviveu seu carisma, dando continuidade à obra de René Bazin e Louis Massignon — é eloquente para o século XX do sucesso e da acumulação: que ícone evangélico mais forte para demonstrar que é possível viver de forma diferente, seguindo Jesus de Nazaré, do que aquilo que o mundo exige e apoia? E hoje, quando dezenas de famílias espirituais se inspiram no carisma do eremita do deserto, como não reconhecer o dedo e a Palavra de Deus em uma semente solitária, mas que produz frutos extraordinários?
O mesmo se pode dizer de outra figura fundadora, Madeleine Delbrêl, uma mulher que dedicou a vida ao serviço e ao testemunho, ao diálogo com os outros e ao amor altruísta nos subúrbios de Paris, no bairro boêmio de Ivry. Ali, ela não encontrou motivos para erguer muros de separação, mas sim para renovar sua fé, para uma nova conversão pessoal após a da juventude, para uma nova espiritualidade leiga, encarnada, mística e, ao mesmo tempo, profundamente enraizada na realidade. Ali também fundou uma pequena comunidade leiga de mulheres, onde cada uma era chamada a se dedicar em sua própria esfera de atuação e em sua própria porção do Reino, com discrição e coragem. Não é por acaso que Madeleine Delbrêl reconheceu em Charles de Foucauld um valor único e central, visto como uma síntese fértil de muitos opostos e como aquele que, mais uma vez, nos lembrou que para "dar-se ao mundo inteiro" era preciso "sair para o aberto", mas que esse "aberto" não estava necessariamente "contido dentro dos muros de um mosteiro": eis a espiritualidade da rua, da vida cotidiana, da oração que é o cuidado do espaço íntimo em que reside o Espírito.
Por fim, Gaudí, que, como os outros dois, decidiu dedicar-se ao mundo, criando uma arte que dialogasse e se reconciliasse com a estética moderna, sem rejeitar sua fé; uma opção de pobreza, humildade, coragem e perseverança, até uma morte anônima e solitária.
Três figuras dedicadas à arte e à cultura (a poesia para Delbrêl, a arquitetura para Gaudí, o estudo de línguas que são páginas de poesia para De Foucauld); que escolheram um caminho de sombra a serviço do que sentiam ser seu; um "caminho estético" que é encarnação no mundo; um "caminho místico", sobretudo, que é um enraizamento íntimo e silencioso em Jesus para se abrir ao mundo, que é uma conversa interior, profunda e meditativa (um caminho místico de perene riqueza!). Três pessoas que se comprometeram com um caminho de diálogo, não de oposição, com aqueles "diferentes de si". E, por fim, é notável que seu reconhecimento oficial tardio pela Igreja (Charles de Foucauld beatificado quase 90 anos após sua morte e canonizado apenas em 2022, Delbrêl e Gaudí ainda "em investigação", com um processo em andamento) indique sua identidade espiritual, caracterizada pela humildade e por uma permanência à margem...
E, além desses três nomes, outros homens e mulheres de sensibilidade semelhante poderiam ser lembrados aqui…
Três figuras, um único paradigma da vida cristã para o século XX, mas ainda mais para o século XXI de influenciadores, velocidade, relações digitais, patrimônios infinitos, pobreza humana sem fim, guerras contínuas.
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