Lula e Sheinbaum reafirmam conjuntamente seu compromisso com a não interferência em meio à pressão de Trump sobre a Colômbia e Cuba

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro bilateral com Presidenta do México Claudia Sheinbaum (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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13 Junho 2026

Os líderes de esquerda do Brasil e do México conversam por 40 minutos por videoconferência.

A reportagem é de Sônia Corona e de Naiara Galarraga Gortázar, publicada por El País, 11-06-2026.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum conversaram por videoconferência nesta quarta-feira, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Durante a reunião remota de 40 minutos, os dois líderes de esquerda “reafirmaram a importância e o valor que atribuem ao fortalecimento e à preservação do multilateralismo, do direito internacional, da democracia e do princípio da não intervenção, particularmente no complexo contexto global atual”. Lula e Sheinbaum lideram os dois países mais populosos da América Latina, que também possuem as duas maiores economias da região.

O encontro ocorre em meio à crescente interferência do poderoso vizinho do norte, os Estados Unidos, incluindo recentes declarações do presidente Donald Trump em apoio ao candidato colombiano de extrema-direita, Abelardo de la Espriella, que enfrenta o esquerdista Iván Cepeda no segundo turno das eleições, no dia 21. Coincide também com a escalada da pressão contra o regime de Castro em Cuba e às vésperas da Copa do Mundo, que o México coorganiza com os Estados Unidos e o Canadá, a partir de quinta-feira. Lula desejou sucesso a Sheinbaum na organização do torneio.

Lula e Sheinbaum também concordaram sobre a necessidade de "levantar o embargo contra Cuba" e expressaram sua preocupação com "a grave situação humanitária na ilha caribenha". Seus respectivos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do Brasil, e Roberto Velasco, do México, os acompanharam na reunião. Ambos os líderes se comprometeram a organizar a Sexta Reunião da Comissão Binacional México-Brasil "nos próximos dias" para finalizar os temas discutidos durante a conversa. Os presidentes do Brasil e do México se encontraram pessoalmente pela última vez em Barcelona, ​​em abril passado, em uma cúpula de líderes progressistas organizada pelo espanhol Pedro Sánchez, que também contou com a presença do colombiano Gustavo Petro.

Os dois presidentes latino-americanos também relançaram uma agenda centrada em energia. Há meses, Lula vem propondo a Sheinbaum a participação da Petrobras, estatal brasileira de petróleo, nos projetos de extração de petróleo e gás da Pemex, estatal mexicana. A Petrobras, especialista em campos em águas profundas, poderia contribuir com sua expertise para a Pemex, que enfrenta dificuldades devido à falta de investimentos em tecnologia em função de sua elevada dívida. Em abril, a presidente da empresa brasileira, Magda Chambriard, visitou Sheinbaum na Cidade do México para apresentar a proposta de Lula.

A ligação telefônica de quarta-feira demonstra que os líderes estão próximos de um acordo para a colaboração entre as empresas petrolíferas. "Em breve assinaremos o acordo entre a Pemex e a Petrobras para aprimorar as práticas de ponta na exploração e produção de hidrocarbonetos, bem como em alternativas de bioenergia", confirmou Sheinbaum em uma mensagem em sua rede social. O Ministério das Relações Exteriores do México também afirmou que ambos os governos revisarão o marco legal da relação comercial bilateral para atualizá-lo e impulsionar a cooperação econômica.

Lula e Sheinbaum também confirmaram seu apoio à candidatura de Michelle Bachelet para secretária-geral das Nações Unidas. Os dois países latino-americanos tornaram-se a força motriz por trás da candidatura da ex-presidente chilena à liderança da principal organização multilateral, depois que o atual presidente do Chile, José Antonio Kast, retirou seu apoio à compatriota em março passado, quando assumiu o cargo. Naquela ocasião, México e Brasil indicaram que a candidatura de Bachelet era um projeto "de natureza coletiva" e que permaneceriam como seus garantidores.

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