10 Junho 2026
As reservas de hotéis nos Estados Unidos estão decepcionantes. Custos, restrições de visto e o clima geral no país são fatores que contribuem para isso. Mesmo assim, o presidente espera um "sucesso sem precedentes".
A informação é de Massimo Basile, publicada por La Repubblica, 09-06-2026.
A Copa do Mundo está prestes a começar, mas já sabemos quem perdeu: os Estados Unidos. As reservas de hotéis no Canadá e no México estão superando as de quase todas as cidades americanas. Torcedores do mundo todo estão relutantes em viajar para os EUA, temendo os custos, as restrições de visto impostas pelo governo e a mensagem geral do país, que passou a ser percebida como hostil a estrangeiros desde que Donald Trump retornou à Casa Branca.
As cidades mais populares
Vancouver, no Canadá, e Guadalajara, no México, registraram taxas de ocupação hoteleira de 48%, segundo o site CoStar, que monitora o turismo online e analisou as tendências nas dezesseis cidades-sede da Copa do Mundo. Toronto, Cidade do México e Monterrey também ultrapassaram os 40%. São Francisco foi a única cidade a manter uma taxa estável, com 44% dos quartos reservados. Os custos também desempenharam um papel importante, de acordo com a pesquisa, sendo mais acessíveis no México e no Canadá do que nas cidades americanas. Este é um fator relevante, considerando que os ingressos para os jogos atingiram preços exorbitantes: milhares de dólares são necessários para assentos fora da primeira fila, enquanto ingressos para a final estão sendo revendidos online por mais de US$ 20.000.
Os motivos do fracasso
A tendência decepcionante nos hotéis americanos representa um duro golpe para a economia dos Estados Unidos, depois que Trump, em dezembro, previu para o país um "sucesso sem precedentes na história da Copa do Mundo". Cidades americanas investiram milhões de dólares para se apresentarem da melhor forma possível. Mas, no fim, muitos turistas optaram pelos dois países vizinhos. Isso se deve também ao fato de que, no México, é possível gastar US$ 100 por noite, enquanto em Kansas City, Boston e Miami, são necessários pelo menos US$ 300. Em Toronto, que sediará seis jogos, o estádio da Copa do Mundo está localizado no centro da cidade e é facilmente acessível a partir dos hotéis. Em Nova York, no entanto, onde serão disputadas oito partidas da primeira fase e a final, a situação se mostra bem mais complicada: para chegar ao MetLife Stadium, em Nova Jersey, um estádio monumental construído em uma área remota, é preciso recorrer aos ônibus, cujos preços foram reduzidos, mas que inicialmente chegavam a US$ 150.
As vagas para os traslados já estão esgotadas. E, de qualquer forma, seja de traslado ou ônibus, a viagem é lenta e caótica. No dia do jogo, percorrer os 30 quilômetros do Terminal Rodoviário Port Authority, em Manhattan, até o MetLife Stadium pode levar até duas horas. Esse foi o tempo que os ônibus levaram no ano passado para a final do Mundial de Clubes, realizada no estádio de Nova Jersey. Os custos em Nova York também dispararam: um quarto de hotel pode custar de US$ 400 a US$ 500. Portanto, não é surpresa que a porcentagem de quartos reservados tenha caído para menos de 40%. No fim das contas, entre a possibilidade de ser enganado e o risco de ser parado no aeroporto, muitos decidiram que a Copa do Mundo pode ser assistida em frente à TV, talvez na praia com uma cerveja gelada na mão, mas não nos Estados Unidos.
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