Massacre de San Patricio: 4 ex-policiais convocados para depor sobre o assassinato de padres palotinos durante a ditadura

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11 Junho 2026

Os ex-membros da Polícia Federal são acusados de limpar a área e encobrir o crime, ocorrido em 4 de julho de 1976.

A reportagem é publicada por El Tiempo Argentino, 09-06-2026. A tradução é do Cepat.

Por insistência da comunidade palotina, o caso referente ao assassinato de três padres e dois seminaristas na Igreja de San Patricio em 4 de julho de 1976 tem seu primeiro avanço em quase 50 anos. Nesta terça-feira, o juiz federal Daniel Rafecas convocou quatro ex-policiais da 37ª Delegacia da Polícia Federal para deporem sobre sua responsabilidade neste crime, conhecido como Massacre de São Patrício.

A notícia foi divulgada em um comunicado da organização Palotinos por la Memoria, la Verdad y la Justicia, que atua como autora da ação judicial. Em meados do ano passado, a organização solicitou a convocação para depor do ex-juiz Guillermo Rivarola e de 10 ex-policiais envolvidos, dos quais o juiz já intimou quatro.

Os acusados são o ex-agente auxiliar Miguel Ángel Romano, o sargento Atilio Edgardo Juárez, o agente Serafin Losada e o chefe de polícia Héctor Roberto Olivetto. “Todos eles são suspeitos de terem limpado a área para que os autores do crime pudessem cometê-lo e, no caso específico de Olivetto, de ter acobertado o fato, visto que a referida delegacia era responsável pelas ações policiais em questão na investigação”, afirmou a organização.

Para Palotinos por la Memoria, esta medida “representa um passo significativo para o avanço da investigação” e destacaram “a louvável tarefa que a equipe jurídica da nossa denúncia composta pelos médicos Pablo Llonto, Adrián Krmpotic e Ariel Noly vem realizando há anos”.

Durante anos, a causa foi investigada no âmbito do megacaso ESMA devido à possibilidade de ter sido uma operação levada a cabo pelo Grupo de Trabalho da Marinha. Porém, desde 2022 o arquivo está nas mãos de Rafecas com base em indícios que indicam ter sido uma retaliação da Polícia Federal pela explosão no prédio da Coordenação Federal ocorrida dois dias antes, em 2 de julho de 1976.

Na madrugada de 4 de julho de 1976, Alfredo Kelly, Alfredo Leaden, Pedro Dufau, Salvador Barbeito e Emilio Barletti foram assassinados. Os padres eram oponentes claros da ditadura. Tinham feito uma escolha de vida pastoral baseada na Teologia da Libertação e faziam parte do Movimento dos Sacerdotes para o Terceiro Mundo (MSTM).

Dentro da igreja, onde os corpos crivados de balas foram encontrados, havia pichações ligando o crime à Coordenação Federal. “Pelos camaradas mortos da [Superintendência da] Segurança Federal. Nós venceremos. Viva a Pátria”, dizia uma mensagem. E outra: “Esses esquerdistas morreram doutrinando mentes inocentes e são do MSTM”.

Uma viatura da 37ª delegacia, sob o comando de Romano, atendeu a um chamado de paroquianos que haviam visto dois veículos suspeitos no quarteirão naquela manhã. A polícia teria identificado os membros do grupo, que estavam em dois Peugeot 504 esperando pelos padres, e então alertou os vizinhos para não saírem de casa caso ouvissem tiros, pois iriam “invadir a casa de alguns esquerdistas”.

Os interrogatórios ocorrerão no final de junho, poucos dias antes do 50º aniversário do crime. “Essa notícia alimenta a esperança de que o maior ataque cometido contra a Igreja Católica na Argentina não ficará impune”, diz o comunicado de Palotinos por la Memoria.

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