Indignação unânime

Foto: Dixit Dhinakaran/Unsplash

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26 Mai 2026

A ostentação de um ultraje que é uma ferida à dignidade de dezenas e dezenas de ativistas, forçados a ficar de joelhos, com as mãos amarradas e o rosto voltado para baixo. São as imagens chocantes que indignaram o mundo, divulgadas nas redes sociais pelo ministro israelense de extrema-direita Itamar Ben-Gvir, chefe da Segurança Nacional. Mostram, quase como se fosse um troféu, o que aconteceu com os 400 membros da Flotilha Global Sumud, interceptados pelas forças israelenses no início desta semana no Mediterrâneo Oriental enquanto navegavam em missão humanitária para Gaza e transferidos para um hangar no porto israelense de Ashdod para procedimentos de detenção. É nesse local que o vídeo, relançado pela mídia israelense e internacional e pelas denúncias de múltiplas ONGs, mostra os ativistas aglomerados, prostrados, imóveis, olhando para o chão, enquanto o hino nacional israelense ressoa pelos alto-falantes.

Diante deles, o Ministro Ben-Gvir, segurando uma bandeira de seu país, os acusa de serem "apoiadores do terrorismo", em meio a declarações de zombaria e pedidos ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de os entregar a ele "por um longo tempo" e os enviar "para as prisões antiterrorismo". Declarações que vêm logo após mais uma provocação de Ben-Gvir, que no início de maio comemorou seu aniversário com um bolo — que imediatamente gerou polêmicas, inclusive internamente — decorado com uma corda de forca, símbolo que remete à lei da pena de morte para os prisioneiros palestinos, que o próprio ministro apoiou ferrenhamente.

A informação é de Giada Aquilino, em artigo publicado por L'Osservatore Romano, 21-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Em outra parte do vídeo, que mostra os ativistas cercados pelas forças israelenses, uma mulher grita "Palestina Livre" antes de ser imobilizada pelos agentes, que a agarram pela cabeça, a forçam contra o chão e ordenam que ela se cale. E as imagens continuam a rolar, enquanto os militares israelenses levam embora os ativistas. Não é um fim, mas o início de um coro unânime de indignação.

Começando pelo Ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, que declarou que Ben-Gvir não representa o "rosto de Israel", definindo o que aconteceu no porto de Ashdod como uma "performance vergonhosa" que "causou danos" ao país. Por sua vez, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfatizou que o tratamento dado pelo Ministro da Segurança Nacional “aos ativistas da flotilha não está de acordo com os valores e normas de Israel", embora reiterando que seu país tem "o direito de impedir que flotilhas provocadoras de apoiadores do terrorismo do Hamas entrem em nossas águas territorial e alcancem Gaza."

Unânime a condenação da União Europeia. O presidente da República italiana, Sergio Mattarella — entre os ativistas estão 29 italianos, dois dos quais, o parlamentar Dario Carotenuto e o jornalista Alessandro Mantovani, retornaram ao Aeroporto Fiumicino de Roma esta manhã — falou em uma nota em "tratamento incivilizado infligido a pessoas detidas ilegalmente em águas internacionais, que atinge um nível ínfimo, realizado por um ministro do governo de Israel". Em outro comunicado, a primeira-ministra Giorgia Meloni e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, classificaram o tratamento dado por Israel aos ativistas como "inaceitável", acrescentando que Roma aguarda um pedido de desculpas "pelo total desprezo demonstrado aos pedidos explícitos do governo italiano". Protestos em todo o Parlamento foram imediatos, enquanto o embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled, foi convocado ao Ministério do Exterior. França, Bélgica, Polônia e Espanha também tomaram a mesma medida. De Madri, o primeiro-ministro Pedro Sánchez definiu as imagens do tratamento dispensado aos ativistas da Flotilha de “inaceitáveis”.

“Não toleraremos que ninguém maltrate nossos cidadãos”, afirmou, antecipando que o governo espanhol solicitará “com urgência” a Bruxelas a proibição da entrada de Ben-Gvir em território europeu. O embaixador da Alemanha em Israel, Steffen Seibert, falou de um tratamento “totalmente inaceitável e incompatível com os valores fundamentais de nossos países”. A Nova Zelândia e o Canadá também convocaram os representantes diplomáticos israelenses, enquanto o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, apesar de definir a Flotilha de “bravata”, usou suas redes sociais para qualificar as ações de Ben-Gvir como “desprezíveis”, acusando o ministro israelense de “trair a dignidade de sua nação”.

Enquanto isso, nas últimas horas, várias organizações de direitos humanos, entre as quais a Adalah, receberam confirmação das autoridades israelenses sobre a libertação de todos os ativistas da Flotilha Global Sumud e da Coalizão Flotilha da Liberdade, anteriormente detidos no centro de detenção de Ktziot. Garantias semelhantes vieram do Ministério das Relações Exteriores da Itália, que anunciou que as transferências de Ktziot para o aeroporto de Eilat estão em andamento, para o embarque dos ativistas em voos charter turcos.

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