Encontro de espiritualidade encaminha propostas à Conferência de Santa Marta

Foto: xijian/Canva

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05 Mai 2026

Uma coligação ecumênica, inter-religiosa e ecoespiritual do Sul Global, integrada por representes de 20 organizações, encaminhou à Primeira Conferência sobre a Transição para uma Economia Livre de Combustíveis Fósseis, reunida em Santa Marta, Colômbia, de 24 a 29 de abril, documento que pede uma mudança cultural e espiritual reconhecendo os limites do planeta e a busca de uma vida simples, porém digna para todos.

A informação é de Edelberto Behs.

O Encontro de Espiritualidade para a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis teve seu encontro, nesses dias, em colégio da cidade. A coligação reivindicou uma transição justa em escala global, garantindo o acesso universal à energia renovável limpa, a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis, o respeito absoluto pela soberania dos povos, rejeitando veementemente a corrida armamentista e o uso da força para garantir fontes de energia. Pediu, ainda, um sistema de democracia plena, com paridade epistemológica para a sabedoria dos povos indígenas, afrodescendentes, camponeses, mulheres e crianças, pessoas que vivem nos territórios afetados e que conduzirão a soluções que vão além das oferecidas pelo paradigma dominante.

O documento buscou subsídios em organismos que integram a coalisão para reforço de suas reivindicações. O Papa Francisco foi lembrado pelo Movimento Laudato Si, ao mencionar que “as mudanças climáticas, a pobreza e a injustiça estão profundamente interligadas. A contínua expansão do carvão, do petróleo e do gás ameaça a dignidade humana, a paz mundial e o futuro de nossa casa comum”.

Não há justiça climática sem justiça social, enfatizou a Rede de Fé pela Justiça Climática. “Além de focar do ‘o quê e como’, é necessário perguntar ‘para quem’ a transição justa está sendo feita”. A Declaração de Convergência, documento que a coligação enviou antes do início da Conferência de Santa Marta, afirma que “a crise climática que o planeta enfrenta não é apenas um problema ambiental, mas também uma profunda crise espiritual, ética e existencial, que exige não só uma reestruturação econômica, mas também uma transformação cultural”.

A principal causa da crise climática é a queima massiva de carvão, petróleo e gás, responsável por 86% das emissões de CO2 entre 2010 e 2019, aponta o Manifesto das Igrejas do Sul Global. O documento também recolheu o posicionamento dos Povos Indígenas, frisando que eles são detentores de direitos, de órgãos de autogoverno e guardiões dos seus territórios. “Sem autodeterminação, consentimento livre, prévio e informado, e a proteção e segurança jurídica de nossos territórios, não pode haver justiça climática e ambiental”, argumentaram.

Representando o Conselho Mundial de Igrejas no Encontro de Espiritualidade, a diretora da Comissão de Justiça Climática e Desenvolvimento Sustentável, foi dura no seu diagnóstico: “Não estamos vivendo no Antropoceno. Estamos vivendo no Capitaloceno, uma era moldada por um capitalismo extrativista que trata a Terra como depósito de recursos e um campo para lucros infinitos.” Ela conclamou por uma “reforma profética”. As igrejas e as pessoas de boa vontade, defendeu, “são chamadas com urgência profética, a falar com uma voz de clareza moral e a encarar um novo Êxodo – um êxodo do cativeiro da ganância, um afastamento de uma economia extrativista e uma jornada rumo à liberdade de uma criação restaurada”.

Entre os 20 organismos participantes do Encontro de Espiritualidade estavam o Serviço Internacional Cristão de Solidariedade com os Povos da América LatinaOscar Arnulfo Romero”; Ecojudaísmo; Plataforma de Ecoespiritualidade; Red de Iglesias e Mineria; Pax Christi Internacional; Rede Conselho Latino-Americana de Igreja; Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), Federação Luterana Mundial.

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