22 Abril 2026
Prevost chegou à Guiné Equatorial, a quarta e última parada de sua jornada africana. Ele condena a extração de matérias-primas para novas tecnologias e seu uso em guerras. Ele cita Francisco: "Esta economia mata".
A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 21-04-2026.
O "santo nome" de Deus "não pode ser profanado pelo desejo de dominação, pela arrogância e pela discriminação: sobretudo, jamais deve ser invocado para justificar escolhas e ações mortais": disse o Papa Leão XIV na Guiné Equatorial, quarta e última parada de sua viagem de onze dias à África, enfatizando que o mundo está "ferido pela arrogância".
Assim como em 1891
"Hoje", disse o Papa agostiniano, "a Doutrina Social da Igreja representa um auxílio para todos aqueles que desejam enfrentar as 'novidades' que estão desestabilizando o planeta e a convivência humana, buscando antes de tudo o Reino de Deus e a Sua justiça. Esta é uma parte fundamental da missão da Igreja: contribuir para a formação das consciências, através da proclamação do Evangelho, da oferta de critérios morais e princípios éticos autênticos, respeitando a liberdade de cada indivíduo e a autonomia dos povos e dos seus governos." Leão XIV comparou "os nossos tempos aos da promulgação da Rerum Novarum pelo Papa Leão XIII", a encíclica que, em 1891, lançou a doutrina social moderna da Igreja e que, em particular, afirma que "a exclusão é a nova face da injustiça social".
Tecnologia, minerais e guerras
Em particular, “a evolução tecnológica extremamente rápida que estamos testemunhando acelerou a especulação ligada à necessidade de matérias-primas, o que parece nos fazer esquecer necessidades fundamentais como a proteção da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública”, disse Leão XIV, citando o Papa Francisco, “que deixou este mundo exatamente um ano atrás”: “Hoje devemos dizer não a uma economia de exclusão e desigualdade. Essa economia mata.”
A “proliferação de conflitos armados”, disse o Papa, “tem entre suas principais motivações a colonização de depósitos de petróleo e minerais, sem levar em conta o direito internacional e a autodeterminação dos povos. As próprias novas tecnologias”, enfatizou Prevost, “parecem ser concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e dentro de estruturas de significado que não sugerem maiores oportunidades para todos.”
“O mundo ferido pela arrogância”
Nesse sentido, “sem uma mudança na assunção da responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e acordos internacionais, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido”, disse o Papa, que então afirmou: “Deus não quer isso. Seu santo nome não pode ser profanado pelo desejo de dominação, arrogância e discriminação: acima de tudo, jamais deve ser invocado para justificar escolhas e ações mortais. Seu país não deve hesitar em examinar suas próprias trajetórias de desenvolvimento e as oportunidades positivas para se posicionar no cenário internacional a serviço da lei e da justiça”.
Para Leão, “em um mundo ferido pela arrogância, os povos anseiam por justiça. Devemos respeitar aqueles que acreditam na paz e ousam seguir políticas contrárias à corrente principal, com o bem comum no centro. Precisamos urgentemente da coragem de novas visões e de um pacto educacional que dê espaço e confiança aos jovens”.
No poder desde 1979
Dirigindo-se ao presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder desde 1979, Leão recordou o que João Paulo II lhe disse em 1982, quando o definiu como "o centro simbólico onde convergem as aspirações vivas de um povo para o estabelecimento de um clima social de autêntica liberdade, justiça, respeito e promoção dos direitos de cada pessoa ou grupo, e melhores condições de vida, que permitam a todos realizarem-se como seres humanos e como filhos de Deus".
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