Trump, o Papa e a Bíblia, do filme 'Pulp Fiction'

Foto: The White House | Wikimedia Commons

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17 Abril 2026

O secretário de Guerra dos EUA fez papel de bobo ao justificar a doutrina da guerra justa com uma leitura de Ezequiel 25,17... não o versículo original, mas aquele recitado por Samuel L. Jackson na cena de abertura de 'Pulp Fiction', um dos filmes mais famosos de Quentin Tarantino.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 17-04-2026.

"E vocês saberão que meu nome é o Senhor quando eu desencadear a minha vingança sobre vocês." Se você achava que Trump havia atingido o ápice do absurdo ao se apresentar como Jesus Cristo, o curador, depois de atacar (em três ocasiões, a última nesta quinta-feira) o Papa Leão XIV por sua posição contra os "senhores da guerra" que, como o presidente dos EUA, "distorcem as religiões e o próprio nome de Deus para seus próprios interesses militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para os reinos mais sujos e obscuros", não perca isto.

O secretário americano de Guerra, Pete Hegseth, participava de um culto religioso no Pentágono quando, para homenagear a equipe que resgatou os pilotos abatidos pelo Irã, mencionou o codinome da missão: CSAR 25,17, uma referência a Ezequiel 25,17. Sem hesitar, Hegseth, talvez para justificar o uso da força (naquela curiosa "teologia" da guerra justa, já repudiada não só pelo Papa, mas também pelo próprio episcopado americano, doutrina defendida pela Igreja há mais de mil anos, muito antes mesmo da existência dos Estados Unidos), apropriou-se daquele "fragmento" da Bíblia... sem perceber (ou talvez percebesse, já que ultimamente realidade e ficção se misturam) que o versículo realmente existe. Mas não o que o secretário de Guerra leu.

E o que Hegseth leu? Nada menos que o famoso monólogo recitado por Samuel L. Jackson na cena de abertura de 'Pulp Fiction', um dos filmes mais conhecidos de Quentin Tarantino.

“O caminho do homem justo é cercado por todos os lados.
Por causa das iniquidades dos egoístas.
E a tirania dos homens perversos.
Bem-aventurado aquele que, em nome da caridade e da boa vontade
guia os fracos pelo vale da escuridão.
Porque ele é verdadeiramente o cuidador do seu irmão.
E aquele que encontrar as crianças perdidas.
E eu vou descarregar tudo em você.
Grande vingança e fúria.
Em relação àqueles que tentam corromper e destruir meus irmãos.
E vocês saberão que meu nome é o Senhor.
Quando eu desencadear minha vingança sobre você.”

Versículos que não existem, como tais, na Bíblia. Talvez porque a fé de Trump tenha mais a ver com a visão de violência retratada em filmes como 'Pulp Fiction', e muito pouco com o tipo de fé que o Jesus em quem o líder do MAGA se vê refletido veio trazer ao mundo. Pelo menos no filme de Tarantino, a música e o ritmo são impecáveis. Trump não chega aos pés de John Travolta e Uma Thurman quando se trata de dançar. Como se ele ao menos soubesse ler (o Evangelho).

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