Leão XIV: "O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos"

Foto: Vatican Media

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17 Abril 2026

O conflito entre a Casa Branca e o Vaticano continua. Trump: "Tenho o direito de discordar do Papa; não há necessidade de me encontrar com ele." Ele também cortou o financiamento da igreja de Miami para menores desacompanhados. Prevost está em seu quinto dia na África, tendo visitado anteriormente a Argélia e Camarões.

A informação é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Reppublica, 17-04-2026

“Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seus interesses militares, econômicos e políticos, arrastando o que é sagrado para as trevas e a imundície.” Estas foram duras palavras proferidas pelo Papa Leão XIV em seu discurso na Catedral de São José, na cidade de Bamenda, no noroeste de Camarões, sua última parada em uma histórica viagem por quatro nações africanas, epicentro de uma insurgência separatista que já dura quase uma década.

Um punhado de tiranos

"O mundo está devastado por um punhado de tiranos, mas permanece unido por uma multidão de irmãos e irmãs em solidariedade", disse o pontífice. A troca de farpas continua com o presidente dos EUA, Donald Trump, que confrontou o papa americano, questionando as críticas de Leão XIV à guerra no Oriente Médio. Ao sair da catedral, Leão XIV soltou pombas brancas, símbolo da paz.

Ontem, Trump lançou um novo ataque em declarações à imprensa, afirmando que o Papa pode dizer o que quiser sobre questões internacionais, mas precisa compreender a realidade de um mundo cruel. "O Irã matou mais de 42 mil pessoas nos últimos meses", disse ele. "Eram manifestantes completamente desarmados. O Papa precisa entender isso. Este é o mundo real, um mundo cruel." Em seguida, o presidente americano reiterou seu direito de "discordar do Papa". "Não tenho objeção a que o Papa possa dizer o que quiser, mas posso discordar", disse ele, acrescentando que não há necessidade de um encontro com Leão XIV para resolver divergências.

Cortes de verbas para instituições de caridade em Miami

Nesse contexto, o governo dos EUA cancelou um contrato de US$ 11 milhões com a Catholic Charities para fornecer abrigo e cuidados a crianças migrantes que entraram sozinhas nos Estados Unidos, encerrando uma relação de mais de meio século entre a Igreja Católica e o governo americano, que começou com a chegada dos primeiros exilados cubanos ao sul da Flórida. "O governo dos EUA decidiu abruptamente encerrar mais de 60 anos de colaboração com a Catholic Charities na Arquidiocese de Miami", escreveu o Arcebispo Thomas Wenkski ao Miami Herald. "Os serviços prestados pela Arquidiocese de Miami a menores desacompanhados são reconhecidos por sua excelência e serviram de modelo para outras agências em todo o país. Nossa experiência no atendimento a essa população vulnerável é incomparável. No entanto, os serviços da Catholic Charities da Arquidiocese de Miami para menores desacompanhados foram privados de financiamento e serão forçados a fechar dentro de três meses."

Missa com 600.000 fiéis

No quinto dia de sua viagem apostólica à África, o Papa, que está em Camarões desde quarta-feira, voará da capital Yaoundé para Douala, na costa oeste, onde presidirá uma missa às 11h30, horário italiano. Espera-se a presença de 600 mil pessoas. À tarde, Leão XIV retornará à capital, onde se encontrará com a comunidade universitária às 18h, horário de Roma.

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