O embate Trump-Prevost está destinado a durar. Artigo de Paolo Rodari

Donald Trump. (Foto: Daniel Torok/The White House/ Flickr)

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17 Abril 2026

"Leão não se presta ao jogo de quem gostaria de transformá-lo no porta-estandarte de um retorno à ordem ou no garante de uma restauração geopolítica. Pelo contrário, suas palavras mostram como a Igreja que ele herdou continua a trilhar um caminho que rejeita a sacralização da força, que desconfia das potências armadas e que olha para as margens como os lugares a partir dos quais repensar o cristianismo no mundo contemporâneo", escreve Paolo Rodari, jornalista, em artigo publicado por Il Manifesto, 14-04-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

A ideia de que a ascensão de Robert Francis Prevost ao papado seria o produto indireto da presença de Donald Trump na Casa Branca inverte a relação entre os eventos. A eleição do novo papa não foi uma reação à política estadunidense.

Pelo contrário, o único efeito vindo de Washington manifestou-se apenas meses depois, quando o clima internacional acelerou o fim do período de adaptação do novo papa. De uma figura inicialmente prudente, quase retraída, Leão revelou-se gradualmente como um bispo de Roma plenamente consciente do seu papel, capaz de adotar uma linguagem que, em algumas passagens, resulta ainda mais direta do que a do seu antecessor. Prevost não chegou ao trono de Pedro por acaso. Bergoglio o quis em Roma após sua experiência no Peru, e no conclave, os cardeais mais próximos da linha do pontífice argentino o identificaram como a figura capaz de dar continuidade, e talvez cumprimento, à mudança do centro de gravidade católico em direção ao Sul global.

Um processo havia questionado o modelo econômico e social estadunidense e promovido uma postura internacional mais equidistante.

Se Ratzinger havia acompanhado o alinhamento pró-ocidental e anticomunista herdado do pontificado polonês, Prevost pareceu o candidato mais adequado para liderar o movimento oposto: restaurar a centralidade das periferias, das regiões do mundo há muito marginalizadas, oferecendo-lhes um intérprete credível. No conclave também pesava o desejo de uma maior garantia doutrinal, e com Leão, aquela parte do colégio obteve o que buscava. Mas, em política externa, a continuidade com Francisco era considerada imprescindível, e ninguém questionou essa exigência.

Por isso, não corresponde à verdade a ideia, escrita por Trump, de que Leão não estava em nenhuma lista. Os cardeais mais próximos de Bergoglio, após terem sondado os equilíbrios internos e verificarem a disponibilidade dos nomes mais conhecidos, entenderam que Prevost podia se tornar o ponto de convergência entre diferentes sensibilidades. Ele não era o favorito de todos, mas era o único em condições de conciliar as duas demandas que circulavam no conclave: garantir segurança no plano doutrinal e, ao mesmo tempo, não interromper o percurso geopolítico iniciado por Francisco. Além disso, foi o próprio Bergoglio, em 2017, quem definiu os populismos como "ruins" por serem animados por um "messianismo" destinado "a terminar mal", uma advertência que hoje ressoa ainda mais atual.

No entanto, foi o cenário internacional, e em particular a postura do governo estadunidense, que nas últimas semanas levou Leão a ir além da prudência inicial. Diante de um contexto global mais tenso, o novo papa abandonou a fase de adaptação e começou a falar com uma clareza que surpreendeu muitos observadores.

Isso ficou particularmente evidente em suas palavras de 10 de abril, ao receber membros do Sínodo da Igreja Caldeia de Bagdá: "Deus não abençoa a guerra, e o cristão nunca está do lado de quem lança as bombas". Em última análise, a resposta de um homem que, depois de meses "agindo como papa" com certa discrição, finalmente decidiu "ser papa" e sê-lo plenamente. E, portanto, não se calar diante de um presidente estadunidense que se faz abençoar por pastores protestantes antes do ataque ao Irã. Não mais um pontífice em adaptação, em suma, mas um bispo de Roma que reivindica seu papel, mesmo que isso signifique usar um tom mais incisivo do que seu antecessor.

De fato, as palavras de Prevost também desmentem aqueles que gostariam de usá-lo como contraponto ao Papa Francisco, não apenas em questões de paz. Aqueles que tentaram interpretar o novo pontificado como uma inversão de rota em relação ao anterior receberam uma evidente desmentida nestes últimos dias. A denúncia da guerra, do rearmamento e das bênçãos religiosas concedidas aos bombardeios nasce, na verdade, na esteira de Bergoglio, dentro da mesma trajetória.

Leão confirma os processos iniciados por seu antecessor, tornando mais explícito o que o antecessor já havia indicado e levando-o às consequências extremas em um contexto internacional mais tenso e polarizado.

Leão não se presta ao jogo de quem gostaria de transformá-lo no porta-estandarte de um retorno à ordem ou no garante de uma restauração geopolítica. Pelo contrário, suas palavras mostram como a Igreja que ele herdou continua a trilhar um caminho que rejeita a sacralização da força, que desconfia das potências armadas e que olha para as margens como os lugares a partir dos quais repensar o cristianismo no mundo contemporâneo.

Prevost não é a desmentida daquela temporada; é a prova de que aquela temporada não acabou.

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