15 Abril 2026
A possibilidade de Genebra está sendo considerada, mas Trump ainda está focado em Islamabad: "Uma cúpula em dois dias". Teerã se mostra receptiva: "Trocaremos mensagens".
A reportagem é de Francesco Manacorda, publicada por La Repubblica, 15-04-2026.
“Algo pode acontecer nos próximos dois dias”, precisamente no Paquistão. E, acima de tudo, “estamos mais inclinados a ir para lá”. Como um sombrio Jogo da Ganso global, Donald Trump joga os dados que podem levá-lo de volta a Islamabad. E, assim, restabelecer a capital paquistanesa como o centro das negociações com o Irã, que poucas horas antes o próprio presidente americano havia descartado. Mas, como sempre acontece, Washington mantém a calma: em entrevista ao New York Post, Trump corrige o rumo de seus homens, nega a possibilidade de locais alternativos como Genebra (“Por que deveríamos ir a um país que não tem nada a ver com isso?”), promove o chefe do exército paquistanês, que “está fazendo um trabalho fantástico” como mediador e, acima de tudo, reabre as negociações. Ainda não é uma negociação, mas talvez não seja mais um fracasso depois que J.D. Vance descarrilou as negociações no Paquistão.
As negociações nunca foram de fato concluídas, como Islamabad já havia insistido na segunda-feira. "A reunião poderá ocorrer em breve", vazam agora fontes paquistanesas de alto escalão, enquanto um sinal paralelo vem de Teerã: "A troca de mensagens continua", embora se esclareça que "não há decisão sobre o formato" do encontro. Em outras palavras, o canal diplomático permanece aberto, enquanto o local é secundário. E o momento também está se tornando incerto: "Em qualquer lugar, a qualquer momento", dizem fontes diplomáticas iranianas, com a trégua entre EUA e Irã expirando em 21 de abril, a menos que um novo acordo seja firmado.
Persistem lacunas difíceis em aberto. A mais óbvia é a questão nuclear. Washington exige uma longa moratória de vinte anos no enriquecimento de urânio, oferecendo em troca um alívio das sanções. Teerã responde com um prazo muito mais curto: cinco anos. Isso demonstra uma desconfiança mútua, com os EUA querendo congelar a questão por uma geração e já renegando seu objetivo de nunca mais ter um Irã nuclear; Teerã, por outro lado, quer limitar a paralisação e manter margem de manobra. No meio disso tudo, encontra-se a questão ainda mais sensível: o destino do urânio já enriquecido, que Washington gostaria de expulsar do país. Aqui, a diferença é imensurável.
A segunda questão, menos explícita, mas igualmente controversa, diz respeito à compensação que Teerã exige pelos extensos danos sofridos sob o fogo dos EUA e de Israel. E, claro, há a questão central de Ormuz, que está acirrando as tensões globais devido às suas repercussões econômicas. O Irã denuncia mais uma vez o bloqueio naval imposto pelos EUA como uma "grave violação da soberania". Washington responde alegando ser uma medida "imparcial", aplicada "a embarcações de todas as nações".
No Estreito, porém, as armas estão silenciosas: isso por si só já é um sucesso temporário. Nas primeiras 24 horas do bloqueio, "nenhum navio conseguiu atravessá-lo" e "seis navios mercantes inverteram o curso", segundo o Comando Central dos EUA. Não se trata de um Estreito completamente paralisado: apenas algumas embarcações, que podem ser contadas nos dedos de uma mão, conseguiram passar ontem, pois suas rotas não incluem portos iranianos. Mas não é o Estreito aberto que concentra a pressão de toda a comunidade internacional, que se concentra principalmente no resultado final e não nos detalhes das negociações. A Agência Internacional de Energia alerta que em abril "nada foi carregado" no Golfo e fala de um "choque de oferta" sem precedentes. A ONU exige liberdade de navegação. Os mercados estão voláteis: os preços do petróleo caem com a expectativa de um acordo, mas permanecem vulneráveis a quaisquer sinais contrários.
Nesse contexto, Teerã também demonstra abertura. O ministro das Relações Exteriores fala de um "Estreito aberto, com as devidas considerações técnicas": uma fórmula que permite negociações sem retrocessos formais. Todas as forças diplomáticas, não apenas as europeias, estão se mobilizando. Os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Egito e Paquistão estão reunidos em Antalya com seus homólogos turcos para discutir propostas a serem apresentadas ao Irã. Os objetivos são duplos: um cessar-fogo estável e a reabertura do Estreito. "A bola está com os iranianos", continua Trump, afirmando que seus inimigos "querem um acordo a todo custo". O objetivo de Islamabad parece mais próximo, mas o caminho para alcançá-lo permanece repleto de imprevistos.
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