"Trump está fazendo ameaças desnecessárias sobre o Irã; ele terá que aceitar um acordo." Entrevista com Trita Parsi

Foto: Daniel Torok/The White House/Flickr

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13 Abril 2026

Trita Parsi: "O cenário mais provável é um status quo não negociado, sem retorno à guerra."

A entrevista é de Paolo Mastrolilli, publicada por La Repubblica, 13-04-2026.

"A nova realidade é que o Ocidente terá que concordar com um verdadeiro acordo com o Irã." Trita Parsi, vice-presidente do Quincy Institute for Responsible Statecraft, não acredita que as novas ameaças do presidente Trump serão suficientes para mudar a dinâmica após as negociações em Islamabad.

Eis a entrevista.

Será que o bloqueio naval poderia forçar Teerã a ceder?

Retirar ainda mais petróleo do mercado fará com que os preços do petróleo bruto subam ainda mais, para cerca de US$ 150 o barril. Isso resultará em um aumento drástico da inflação nos Estados Unidos. Evitar esse cenário é precisamente o motivo pelo qual Trump se viu em uma posição em que, antes do cessar-fogo entrar em vigor, ele não tinha opções de escalada para sair do conflito. E ele ainda não as tem.

Por que?

Impedir a passagem de petroleiros que transportam petróleo bruto iraniano constituiria uma escalada não só contra o Irã, mas também contra os países que o compram, incluindo a China, a Índia e outras nações asiáticas.

Duvido que Trump esteja preparado para tal aceleração, especialmente tendo em vista a próxima cúpula em Pequim. O mesmo se aplica à possível adoção de medidas punitivas contra os países que negociaram com o Irã o pagamento de pedágio pela travessia do Estreito, incluindo o Paquistão, que sediou as negociações.

O bloqueio de Trump não acabaria com a capacidade do Irã de operar no Canal de Ormuz?

Uma escalada baseada em um bloqueio naval tornaria mais provável que os Houthis fechassem o Mar Vermelho. Isso retiraria mais 12% do fluxo global de petróleo do mercado. Nesse ponto, estaríamos falando de um preço em torno de US$ 200 por barril.

Então, qual solução você vê?

Restam aproximadamente nove dias para o fim do cessar-fogo. Como nenhuma das partes declarou explicitamente que as negociações não serão retomadas, nem que o cessar-fogo tenha entrado em colapso definitivo, todas as movimentações em curso devem ser interpretadas como meras táticas inseridas no contexto das negociações. Não seria surpreendente se essas ameaças fossem retiradas em breve, talvez antes da abertura dos mercados, e uma nova rodada de negociações fosse anunciada.

Com que base?

Se os EUA insistissem de fato, como fizeram em Islamabad, na exigência de 'enriquecimento zero' — uma linha vermelha que inicialmente pertencia não a Trump, mas a Israel — a próxima rodada de negociações estaria fadada ao fracasso. O mesmo aconteceu com as negociações de maio de 2025, que foram sabotadas pelo presidente quando ele decidiu se alinhar à linha vermelha de Israel.

Qual seria a alternativa?

Não creio que isso necessariamente leve a um retorno à guerra. Um cenário mais provável é um novo status quo não negociado, no qual Teerã mantenha o controle do Estreito, mas não obtenha alívio das sanções, enquanto os EUA se retirem da guerra. Nesse ponto, a questão será se Israel continuará o conflito por conta própria. De qualquer forma, o Ocidente terá que aceitar um verdadeiro acordo com o Irã.

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