30 Março 2026
Danos atuais já são suficientes para manter os preços da energia e de muitos outros produtos em alta pelos próximos meses.
A informação é publicada por ClimaInfo, 29-03-2026.
O que parecia um absurdo se torna uma possibilidade cada vez mais real. Analistas da consultoria Macquarie Group indicaram que, se a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã persistir até junho, o preço do barril de petróleo pode chegar a inacreditáveis US$ 200 (cerca de R$ 1.050) – como, aliás, o próprio governo iraniano assinalou há alguns dias.
Segundo a Macquarie, há 40% de chances da guerra persistir até junho. A maior probabilidade (60%) ainda é de que o conflito se encerre em abril. Mas, com Donald Trump bagunçando a equação de probabilidades, tudo pode acontecer: por um lado, a ameaça laranja estendeu o prazo para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz; por outro, também enviou milhares de soldados para o Oriente Médio, contam Reuters e Global News.
Desde 27 de fevereiro, um dia antes dos EUA e Israel atacarem o Irã, o Brent subiu 53%. Na última 6ª feira (27/3), ele atingiu alta de US$ 119,50 (R$ 628), detalha a Bloomberg.
O estrategista geopolítico Marko Papic estima que até 19 de abril o mundo perderá de 4,5 a 5 milhões de barris de petróleo por dia devido à guerra – o que representa 5% da oferta global. Segundo a nota, “esse número dobrará até meados de abril, tornando-se a maior perda de oferta de petróleo bruto”, informa a CNBC.
Ainda que o Estreito de Ormuz seja reaberto nos próximos dias, os danos já são suficientes para manter os preços da energia e de muitos outros produtos em alta pelos próximos meses. “O momento da reabertura do Estreito e os danos físicos à infraestrutura energética são os principais determinantes do impacto a longo prazo sobre as commodities“, aponta a Macquarie.
Como assinalado por Oil Price e NPR, por ora a Agência Internacional de Energia (AIE) coordenou a liberação recorde de 400 milhões de barris para cobrir cerca de quatro semanas de interrupção no Golfo. Andrew Harbourne, analista sênior de mercados de petróleo da Wood Mackenzie observa que “as reservas estratégicas continuam sendo uma proteção emergencial eficaz, mas são uma intervenção pontual que eventualmente precisará ser reposta e não pode suprir uma lacuna de oferta prolongada”.
Em tempo
O petróleo não é a única commodity afetada pelo fechamento do Estreito de Ormuz no Irã. O g1 fez uma lista de produtos que também podem ser afetados pelo conflito: fertilizantes; gás de hélio, utilizado na fabricação de semicondutores utilizados em computadores, veículos e eletrodomésticos; metanol e etileno, matérias-primas para a produção de medicamentos e vacinas e enxofre são alguns dos exemplos.
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