O governo mexicano considera "inaceitáveis" as mortes de 13 cidadãos sob custódia do ICE nos Estados Unidos

Foto: U.S. Immigration and Customs Enforcement/Flickr

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26 Março 2026

O ministro das Relações Exteriores, Juan Ramón de la Fuente, afirma que 177.192 mexicanos foram detidos desde janeiro e que 13.722 permanecem atrás das grades devido à sua situação migratória.

A reportagem é de Micaela Varela, publicada por El País, 25-03-2026.

O governo mexicano intensificou sua retórica em relação ao tratamento dado a seus cidadãos ao norte da fronteira. O ministro das Relações Exteriores, Juan Ramón de la Fuente, declarou em coletiva de imprensa na quarta-feira que as mortes de 13 mexicanos sob custódia do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos) após sua detenção são “inaceitáveis”. As autoridades relatam que 177.192 mexicanos foram detidos desde 20 de janeiro e que 13.722 permanecem encarcerados devido à sua situação imigratória. Enquanto isso, as embaixadas mexicanas nos Estados Unidos estão ampliando seus serviços para visitantes que viajam aos EUA para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 2026.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que a defesa dos direitos humanos dos mexicanos nos Estados Unidos é um tema recorrente em suas conversas com o presidente americano, Donald Trump. “Já expressamos isso de diversas maneiras, e a resposta deles é que haverá uma investigação. Continuaremos insistindo para que essa investigação seja realizada a fim de determinar a causa da morte, assim que ela for apurada, assim que houver laudos periciais e exames forenses”, declarou a presidente.

Mais de uma dúzia de cidadãos mexicanos morreram após serem detidos pela polícia de imigração em diferentes cidades dos EUA. O caso mais recente, de Royer Pérez, de 19 anos, foi detido na Flórida e estava sob custódia desde o início do ano. Segundo agentes americanos, uma das possíveis causas da morte foi suicídio, sem que fossem apresentadas mais provas. “Mais uma vez, estamos enviando uma mensagem diplomática muito mais enfática, digamos assim, sobre essa situação. O relatório indica que o jovem cometeu suicídio; no entanto, queremos uma investigação completa e, além disso, isso não pode continuar acontecendo”, declarou o presidente na semana passada sobre o caso.

O subsecretário para a América do Norte, Roberto Velasco Álvarez, afirmou que novas medidas estão sendo tomadas nos Estados Unidos para monitorar as condições dos mexicanos detidos, detectar abusos e lidar com casos de superlotação, falta de higiene ou necessidades médicas não atendidas. “Em todas essas comunicações, destacamos as condições sistêmicas que estão levando à morte de 13 pessoas — porque são muitos casos — nessas circunstâncias”, afirmou. No entanto, cartas enviadas anteriormente para questionar mortes passadas ainda não foram respondidas, e as investigações continuam.

Enquanto isso, o governo reforçou o suporte telefônico para mexicanos no exterior, para que possam receber reclamações e denúncias. Também divulgou um programa de orientações e dicas de prevenção, aconselhando-os a não abrirem suas portas, mesmo que sejam agentes de imigração, e a não fornecerem detalhes sobre sua situação, além de manterem um kit com contatos de confiança em caso de detenção. “Temos até usuários simulados; vários colegas da Agência de Transformação Digital foram à Embaixada solicitar serviços sem saber quem são os agentes, e é assim que descobrimos se estão sendo bem tratados ou não”, afirmou a presidente, reconhecendo, porém, que ainda há melhorias a serem feitas nos consulados. Sobre o risco enfrentado pelos mexicanos que viajam aos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026, Sheinbaum garantiu que estão preparados e que as embaixadas foram reforçadas. “Vamos torcer para que não haja detenções”, acrescentou.

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