Para cada feminicídio consumado ocorrem 600 casos de ameaças ou agressões

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26 Março 2026

Estatísticas foram abordadas em painel da Federasul. Rio Grande do Sul é o único Estado brasileiro com vara específica para julgar assassinato de mulheres.

A reportagem é de Humberto Trezzi, publicada por GZH, 25-03-2026.

O feminicídio é o resultado final e sangrento de uma cadeia de violência contra a mulher que começa muito antes. Em média, para cada mulher assassinada no Rio Grande do Sul, são registrados 600 outros casos de ameaças e/ou agressões - na maioria das vezes, são como avisos ou indícios que antecedem a morte da vítima do sexo feminino.

Os dados foram exibidos nesta quarta-feira (25) no painel Tá na Mesa, encontro semanal promovido pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul). O debate envolveu a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Natália Fetter, e a promotora de Justiça Luciana Casarotto, que atua na Vara de Feminicídios de Porto Alegre (a única especializada neste tipo de homicídio, no Brasil).

Conforme estatísticas oficiais, o Rio Grande do Sul registrou 80 feminicídios no ano passado e 52 mil ocorrências de violência contra a mulher - que englobam desde ameaças até agressões, passando por constrangimentos diversos e lesões corporais. As duas palestrantes acreditam que o Brasil vive uma calamidade em termos de crimes cometidos contra mulheres. As estatísticas desse tipo de delito sobem há uma década, na contramão de uma tendência de redução da maioria dos outros crimes graves, como homicídios simples, latrocínios e assaltos.

O feminicídio, ressalta Luciana, gera uma cadeia de dor e sofrimento, porque quase sempre deixa crianças órfãs ou desatendidas (no caso dos pais que vão presos). Ela não considera que exista impunidade, já que a condenação por esse tipo de crime é quase certa: 95% dos casos, em Porto Alegre, e 85% no Interior. Além disso, a pena subiu recentemente e varia de 20 a 40 anos de reclusão para o assassino.

A grande questão do momento não é a punição, que costuma vir, mas evitar que o crime seja cometido.

- Nós precisamos falar com os homens. Mostrar a eles que não vale a pena agredir e ofender, muito menos matar - pondera Luciana.

Natália salienta que é preciso acabar com o pacto de cumplicidade ou de passividade que os homens têm em relação aos agressores. Ela também admite que é um crime difícil de prevenir, porque para as mulheres é preciso muita coragem para registrar ocorrência contra o companheiro.

- Quando faz isso, ela está prestando queixa contra alguém que amava, com quem fez planos, com quem tem filhos. Natural que tenha receio da ruptura, porque terá de se mudar, reestruturar completamente a vida. E muitas vezes a mulher tem dependência financeira em relação ao agressor - relata Natália.

O presidente da Federasul, Rodrigo Souza Costa, ouviu atentamente a palestra e conclui que a saída é prevenção.

- Temos tendência de achar que endurecimento das leis resolve. Mas temos de agir antes, prevenir. Uma alternativa que me parece excelente é a dos grupos de ajuda, semelhante aos dos Alcoólicos Anônimos, mas para homens violento. Frequentando sessões coletivas de atendimento, talvez ele consiga sair do clima tóxico e misógino que marca certos ambientes masculinos - conclui Rodrigo.

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