Todos para o inferno, apaixonadamente. Artigo de Michele Serra

Israel Katz e Pete Hegseth | Foto: U.S. Army Staff Sgt. Noel Diaz/Flickr

Mais Lidos

  • Peter Thiel: pregando o Anticristo em Roma ou o fim do mundo, dependendo de quem o financia. Artigo de Antonio Spadaro

    LER MAIS
  • Brasil reafirma solidariedade a Cuba e anuncia envio 20 mil toneladas de arroz e de outros alimentos

    LER MAIS
  • Quando a precarização do trabalho corrói a democracia. Entrevista com Ricardo Festi

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

21 Março 2026

"Quem não respeita a morte não respeita a vida; isso, talvez até Katz possa compreender", escreve Michele Serra, jornalista, escritor e roteirista italiano, em artigo publicado por La Repubblica, 18-03-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

O inferno existe apenas para aqueles que o temem, cantava De André. Uma leitura poética e profunda não do inferno, que existe apenas como lugar imaginário e literário, mas dos homens: que existem - e como! - e administram o inferno entre si ao longo da vida (às vezes até o paraíso, mas esses são momentos muito mais raros.)

Eis que o Ministro israelense Katz anuncia oficialmente que os demais líderes iranianos mortos nos ataques das Forças de Defesa de Israel, foram finalmente enviados "às profundezas do inferno". O pensamento é idêntico ao desses mesmos mortos, que gostam de desejar igual destino aos "infiéis": confirmando o fato de que esta também é uma guerra de religião, ou pelo menos de religiosos, com os reverendos estadunidenses abençoando Trump, os fanáticos bíblicos no governo de Israel, os islamitas alucinados que acorrentaram o Irã. E todos chamando Deus em causa para cada uma de suas abominações, para cada crime contra a vida, para cada anátema contra quem não reza os mesmos salmos, versículos e jaculatórias.

Katz precisa se resignar. É evidente que ser simplesmente um assassino de assassinos não é tão gratificante quanto ser um executor da vontade divina. Mas seus inimigos, exatamente como acontecerá com ele e com cada um de nós, não estão no inferno. Mais simplesmente, eles estão mortos, desaparecidos para sempre, uma condição que por si só bastaria para transmitir a enormidade do fim e para desaconselhar enfrentar tal enormidade com as torpes ninharias do fanatismo religioso.

Quem não respeita a morte não respeita a vida; isso, talvez até Katz possa compreender.

Leia mais