O verdadeiro segredo da existência. Artigo de Enzo Bianchi

Foto: Mohamed Nohassi/Unplash

Mais Lidos

  • Edgar Morin (104 anos), filósofo, sobre a felicidade: “A velhice é um terreno fértil para a criação e a rebeldia”

    LER MAIS
  • Não é o Francisco: chega de desculpas! Artigo de Sergio Ventura

    LER MAIS
  • “Putin deixou bem claro que para a Rússia é normal que os Estados Unidos reivindiquem a Groenlândia”. Entrevista com Marzio G. Mian

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

15 Janeiro 2026

"Somos viandantes chamados a percorrer parte do caminho com os outros: unimo-nos aos outros ao virmos ao mundo, devemos caminhar com os outros se quisermos realizar a obra que nos foi designada e, então, partimos porque a nossa jornada também termina", escreve Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado por Famiglia Cristiana, 11-01-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Há palavras de Jesus não registradas nos Evangelhos, mas atestadas pelos Padres da Igreja, que ainda hoje são consideradas autênticas pelos exegetas; palavras proferidas por Jesus, palavras como flechas que, se acolhidas, deixam uma marca. Uma dessas palavras de Jesus ressoa assim: "Sejam viandantes!"

Aos seus discípulos, arrastados atrás de si sem uma casa nem um lugar onde reclinar a cabeça, Jesus lembra, ousaria dizer, impõe: “Sede viandantes!”, isto é, sede sempre nômades, peregrinos e, consequentemente, estrangeiros, forasteiros, de passagem... E não por acaso os primeiros cristãos foram chamados “aqueles da estrada”. Espiritualmente, todos os cristãos devem ser filhos do pai da fé, nosso pai Abraão, que se manteve por toda a vida um viandante, um forasteiro em busca de uma terra que Deus lhe teria mostrado, mas que, tanto no momento do chamado quanto ao longo de toda a jornada, sempre manteve escondida de seus olhos. Caminhar e voltar a caminhar por novos caminhos é a vocação dos cristãos: caminhar na esperança, na convicção de rumar para o objetivo indicado pelo Senhor, mas sem certezas, buscando enxergar as realidades invisíveis que são as promessas do Senhor.

Somos viandantes chamados a percorrer parte do caminho com os outros: unimo-nos aos outros ao virmos ao mundo, devemos caminhar com os outros se quisermos realizar a obra que nos foi designada e, então, partimos porque a nossa jornada também termina. Mas o viandante, enquanto caminha, também deve cantar: não por acaso Agostinho de Hipona nos convida a cantar o Aleluia, o cântico dos peregrinos a caminho de Jerusalém. Assim, unimos o nosso Aleluia àquele cantado no céu, num verdadeiro louvor cósmico feito por criaturas que passam, viandantes e peregrinos que cantam: Cantamos como viandantes, e você cante e caminhe! O caminho para o Reino é sempre novo, é caminho de vida!

Leia mais