A ponte e o rio. Artigo de Andrea Grillo

Foto: LPETTET/Canva

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28 Julho 2025

"Além de pro vita, além de políticos cristãos que querem complicar a vida e a morte às pessoas que sofrem até querer morrer. Além dos cristãos que dizem que pedir a morte é sinal de falta de clareza e objetividade. A Igreja não julga. Deixe com Deus".

O artigo é de Andrea Grillo, publicado no Facebook, 23-07-2025.

Eis o artigo.

Autodisposição também é um princípio teológico. Pensar em Deus apenas como heteronomia é um abismo muito fácil. Encontrar o equilíbrio entre liberdade e autoridade, entre si e o outro, é tarefa da cultura, mesmo teológica. Decidir morrer é sempre uma possibilidade aberta, que pode ser entendida não simplesmente como um crime contra a vida. Na lei natural clássica, Deus guarda a vida de cada pessoa viva. Mas homens e mulheres exercem este direito como animais particulares, com as mãos e com as palavras. Acompanhar os outros na lei que exercem sobre as suas vidas pode levar a formas de assistência no suicídio. Não é o oposto da fé, mas uma possível incultivação dela. Para o julgamento drástico sobre o suicídio, em todas as suas formas, vale sempre a pena a resposta do Curato d'Ars para a mulher desesperada, porque o marido se atirou da ponte e, segundo ela, foi condenado. Ele respondeu cuidadosamente que Deus pode fazer milagres mesmo no espaço entre a ponte e o rio.

Quando a Igreja se faz Igreja

Ivan Maffeis é o bispo de Perugia. Ele era o bispo de Laura Santi, a jornalista que ontem recorreu ao suicídio assistido. Num pedido de intervenção, ele disse: "É o tempo de dor e silêncio. Eu me lembro dela...".

Ano passado Dom Ivan foi visitar Laura, completamente imóvel por causa da doença que ela tinha: "Ela me abraçou, me passou uma bebida, sentou-se e me ouviu. Ele nem sequer tentou convencer-me, convencer-me a não fazer alguma coisa. Ele é um homem profundo, muito humilde e livre...".

Essa é uma Igreja que sabe amar. Essa é a Igreja que acolhe todos, todos, todos. Além de pro vita, além de políticos cristãos que querem complicar a vida e a morte às pessoas que sofrem até querer morrer. Além dos cristãos que dizem que pedir a morte é sinal de falta de clareza e objetividade. A Igreja não julga. Deixe com Deus. A rejeição dos funerais em Welby ainda arde na mente dos fiéis, pelo trabalho de um cardeal como Ruini, que acreditava ser Deus.

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