22 Mai 2025
A União Europeia aumenta o reconhecimento diplomático da Palestina. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, incluiu a representante palestina Amal Jadou na cerimônia de credenciais dos novos embaixadores na UE, realizada em Bruxelas na terça-feira, a poucos metros da sala onde a maioria dos ministros das Relações Exteriores pediu à Comissão Europeia que iniciasse o processo de revisão do acordo comercial com Israel.
A reportagem é de Irene Castro, publicada por El Diario, 21-05-2025.
A presença de Amal Jadou no evento, juntamente com uma dúzia de outros diplomatas, é uma novidade, já que historicamente, o delegado palestino na UE entregava sua documentação ao chefe de protocolo do Serviço de Ação Externa sem nenhuma formalidade além do processo administrativo. Ou seja, a Palestina, por não ser reconhecida como Estado por grande parte dos Estados-membros (apenas onze dos 27 o fazem), também foi relegada ao plano diplomático.
Na ocasião, Jadou participou do evento de alto nível, que contou com a presença de Costa e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ela apresentou sua chamada "carta de missão", enquanto os embaixadores de Andorra, São Tomé e Príncipe, Egito, Guiana, Etiópia, Cuba, Lesoto, Austrália, Papua Nova Guiné, Panamá e Colômbia apresentaram suas cartas credenciais.
A decisão simbólica e política de Costa
A decisão de Costa tem um valor simbólico e político significativo num momento em que a UE estava ficando sem uma voz forte para denunciar os abusos de Israel em Gaza. De facto, o socialista português teve de negociar com Von der Leyen a inclusão do delegado palestiniano. Apesar de seu perfil institucional, como representante dos 27, Costa elevou o tom contra o massacre em Gaza anteriormente, enquanto a alemã tem se mantido retraída durante todo esse tempo, representando o duplo padrão em relação a Israel.
"Israel deve parar agora", disse o presidente do Conselho Europeu em uma coletiva de imprensa em Londres na segunda-feira, quando a Europa começou a elevar o tom contra Benjamin Netanyahu devido ao cerco total à Faixa de Gaza. Na mesma aparição, Von der Leyen evitou mencionar Israel, embora tenha dito que a situação era "inaceitável": "O bloqueio deve ser levantado agora. A ajuda humanitária nunca deve ser politizada." Ele então pediu um cessar-fogo e a libertação dos reféns, bem como a "única solução viável" de dois Estados.
A revisão do acordo comercial com Israel
A UE revisará o acordo comercial com Israel diante da ofensiva de Netanyahu para destruir Gaza.
Von der Leyen agora terá que encomendar um relatório sobre violações de direitos humanos em Gaza, que é o primeiro passo na revisão do acordo comercial solicitada por 17 estados-membros. Esta também é uma decisão simbólica, e não se espera nenhuma ruptura, mesmo parcial, com Israel. Isso exigiria uma maioria qualificada no Conselho da UE, onde os Estados-membros estão representados, o que atualmente não existe.

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