15 Mai 2025
As enchentes históricas no Rio Grande do Sul em 2024 poderiam ter sido um alerta. Mas, ainda assim, os gastos com gestão de riscos e desastres no Orçamento da União em 2025 diminuíram 73% em relação ao ano passado, o que agrava o cenário de negligência que já custou ao país cerca de R$ 430 milhões na última década, como destacou a Folha.
A reportagem é publicada por ClimaInfo, 14-05-2025.
Dados do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) revelam um déficit global de até US$ 359 bilhões em financiamento para adaptação climática, área que inclui desde infraestrutura resiliente até sistemas de alerta contra desastres.
No Brasil, a situação é especialmente crítica. Apenas R$ 100 milhões foram destinados a soluções do tipo em 2024, menos de 0,1% do necessário para evitar perdas futuras. Um estudo do Instituto Talanoa calcula que investir R$ 100 bilhões em adaptação até 2030 pouparia R$ 1 trilhão em danos.
Enquanto fundos ESG movimentam trilhões globalmente e o Brasil expande linhas de crédito para energia limpa, projetos de adaptação seguem esquecidos. Nenhum foi incluído no leilão Eco Invest, que captou R$ 45 bilhões para sustentabilidade, e só 0,06% dos empréstimos do Fundo Clima foram para essa frente.
O governo federal alega que programas como Cidades Resilientes e AdaptaCidades estão em execução e que a redução orçamentária pode ser compensada com créditos extraordinários. Mas a lentidão é incompatível com a emergência climática. A COP30 sediada no Brasil será um teste, já que o país terá de sair do discurso no que se refere ao financiamento de adaptação.
Em tempo:
Um estudo da London Stock Exchange Group, repercutido pela Bloomberg, indica que empresas que investem em adaptação climática estão colhendo benefícios financeiros significativos, com aproximadamente 2.100 empresas gerando mais de US$ 1 trilhão em receitas no último ano a partir de produtos e serviços alinhados a essa estratégia. O Financial Times também destacou o estudo.
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