Festa da Colheita do MST celebra safra de 14 mil toneladas de arroz agroecológico

Foto: Tiago Giannichini | MST

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20 Março 2025

A 22ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico deve reunir 5 mil pessoas nesta quinta-feira (20) em Viamão (RS)

A reportagem é publicada por Brasil de Fato, 19-03-2025. 

Após as perdas com as enchentes de 2023 e 2024, a 22ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico irá reunir cerca de 5 mil pessoas no Assentamento Filhos de Sepé em Viamão para celebrar a safra 2024/2025 de 14 mil toneladas do grão. A festa da colheita, realizada anualmente pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) do Rio Grande do Sul, marca o início da colheita do arroz agroecológico no estado. O MST é considerado o maior produtor de arroz agroecológico da América Latina, segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga).

A programação inicia às 9h com o ato de abertura da colheita do arroz na lavoura. Às 11h haverá um ato político com a presença de representantes do governo federal, parlamentares e convidados. O almoço será servido a partir das 13h. Durante todo o dia também poderá ser visitada a Feira da Reforma Agrária, com bancas das cooperativas da produção dos assentamentos.

A partir das 13h30, inicia o Festival por Terra, Arte e Pão, com apresentações dos músicos Antônio Gringo, Ciro Ferreira, Gustavo Couto, Marcial Congo, Martin Coplas, Zé Martins, do Unamérica, o Coral Nhe’e engatu da retomada da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), as bandas das escolas Rui Barbosa e Nossa Senhora de Fátima, de Viamão, e a bateria da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel, terceira colocada do grupo Ouro no Carnaval de Porto Alegre. Também fará abertura do ato político às 11h e do festival, a Frente de música do MST João do Vale. Ainda haverá uma exposição dos artistas visuais Tharcus Aguilar, Patrick Victos, Renan Leandro, Irmã Elda Briolo, Tanis Santos e Ds Lima.

Resiliência e união garantem colheita

Em 2024, a celebração foi suspensa, porque a semeadura do grão, que geralmente começa em setembro, precisou ser adiada em razão de duas enchentes históricas na região metropolitana de Porto Alegre. A colheita foi atrasada e, no lugar da festa de março, o MST organizou um seminário sobre os impactos das mudanças climáticas na agroecologia.

Em 2024, quando 50% do arroz plantado em dezembro ainda não havia sido colhido, veio a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, arrasando as lavouras e deixando desabrigadas centenas de famílias de agricultores do MST.

Agora, em 2025, depois de muito trabalho, a comemoração será retomada e celebra a maior produção de arroz orgânico da América Latina.

“Com a resiliência e união, semeamos 2.850 hectares de arroz agroecológico e 800 hectares em conversão nos assentamentos de Viamão, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Charqueadas, Guaíba, Tapes e São Gabriel”, destaca o Comitê Gestor do Arroz Agroecológico.

Marildo Mulinari, conhecido como Tubiano, celebra a retomada da produção dos arrozais agroecológicos. “Nós nos obrigamos a retomar, após a enchente, na verdade estava tudo destruído e, por incrível que pareça, a lavoura está com um aspecto bom. A gente teve que reconstruir os levantes de luz, reconstruir as bombas, os canais, as estradas que a enchente devorou com tudo. E hoje, passados oito meses da enchente, nos alegra ver o aspecto do arroz e a nossa expectativa é produzir a nossa média de sempre, em torno de 100 a 120 sacos por hectare”, afirma.

Para o agrônomo da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados na Região de Porto Alegre (Cootap), assentado no assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, e coordenador de processo da biofábrica Ana Primavesi, em Viamão, Marcos Johnny dos Reis, a luta do Movimento Sem Terra ensina que é preciso ativamente trabalhar o processo de resiliência.

“Acho que a gente foi muito resiliente nessa retomada, porque desde o momento do acometimento das enchentes, a gente já procurou reunir os produtores na cooperativa, nos grupos gestores que a cooperativa compõe, temos o grupo gestor do arroz, o grupo gestor das hortas, o grupo gestor do leite. Foram feitas reuniões, discussões, sempre no sentido de que era necessário a gente retomar, e essa retomada não podia ser tardia, ela tinha que ser de imediato com as condições que nos sobrou”, destaca.

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