A encíclica do Papa sobre as crianças “Vezes demais a infância é negada”

Foto: Reprodução | Arquidiocese de Malta

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08 Fevereiro 2025

“As crianças estão nos observando”, diz o Papa Francisco. Ele cita o filme de Vittorio De Sica sobre uma criança que assiste atônita à separação de seus pais para despertar um mundo onde, por causa dos adultos, os menores sofrem guerras, migração e exploração.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por La Repubblica, 07-02-2025. A tradução é de Luisa Rabolini.

É por isso que convidou ao Vaticano Draghi, Tajani, Gentiloni, Liliana Segre, a rainha Rania da Jordânia, Al Gore e muitos outros para uma cúpula internacional, e por isso, como anunciou no final, pretende dedicar uma nova encíclica aos direitos das crianças. “Ouvir as crianças que hoje vivem na violência, na exploração ou na injustiça serve para reforçar nosso não à guerra, à cultura do descarte e do lucro”, afirma o pontífice argentino, ”devemos nos dar conta de que as crianças pequenas observam, entendem e lembram. E com seus olhares e seus silêncios falam conosco”.

Sob os tetos com afrescos da Sala Clementina no palácio apostólico, Mario Draghi enfatiza que “a educação é a primeira coisa que podemos fazer para proteger as crianças” e reitera o empenho de seu governo de reabrir escolas após a pandemia e de incluir o acréscimo dos jardins de infância no Pnrr. “No cenário internacional atual, é essencial proteger o direito à proteção das crianças, as primeiras vítimas das guerras”, afirma o ex-premiê. “Vemos isso na Ucrânia, em Gaza e em todos os lugares onde há conflitos armados. Devemos buscar a paz - uma paz que seja justa, verdadeira e estável”. Tajani relembra a pressão do executivo para aumentar a taxa de natalidade e sua proposta para o Ius Scholae. “Todas as crianças são algo sagrado”, diz Liliana Segre, e lembra das crianças israelenses e palestinas.

Há décadas, a Santa Sé vem sendo abalada pelo escândalo dos abusos do clero de menores. Mas “a Igreja”, disse o cardeal Pietro Parolin, dando as boas-vindas aos participantes da cúpula no sábado à noite, “apesar das deficiências e da fragilidade de alguns de seus componentes, está sempre empenhada em defender e proteger os direitos dos pequenos”. Na primavera, Bergoglio celebrou o Dia Mundial da Criança, e agora criou um comitê que confiou ao padre Enzo Fortunato, franciscano, e a Aldo Cagnoli, piloto de avião que é seu amigo desde os tempos de Argentina.

Na cúpula, denunciou a “infância negada” de tantas crianças, aquelas que “morrem sob as bombas” e aquelas que “sucumbem por falta de cuidados ou por vários tipos de exploração”, aquelas que não nascem por causa da “prática assassina do aborto”, mas também - as únicas referências circunstanciais - os pequenos Rohinghya, muçulmanos, e “as crianças sem documentos na fronteira com os Estados Unidos, as primeiras vítimas daquele êxodo de desespero e esperança de milhares que vêm do Sul”. E encontram a porta fechada por Trump. No final, o Papa anuncia que dedicará “uma exortação apostólica ou uma carta (encíclica, ndr)” às crianças. Porque, explica ele, “as crianças estão nos observando”

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