“Guerra total”: O que disseram Israel, EUA, Líbano e Irã no Conselho de Segurança da ONU

Conselho de Segurança da ONU | Foto: RS / FotosPúblicas

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

03 Outubro 2024

Países trocaram ameaças de retaliação e cobraram posicionamento do Conselho sobre crimes de guerra e Resolução 1701.

A reportagem é de Cintia Alves, publicada por Jornal GGN, 02-10-2024.

Um dia após o Irã lançar um ataque com mais de 200 mísseis sobre Israel, em resposta ao assassinato de lideranças do Hezbollah e de diplomatas em missões oficiais, os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU se reuniram em Nova York nesta quarta (2) para debater a escalada do conflito no Oriente Médio.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarado persona non grata por Israel, abriu os trabalhos declarando que é preciso articular o cessar-fogo imediatamente pelas vias diplomáticas, a única forma de evitar uma “guerra total” na região.

Aqui está como os principais protagonistas dessa crise – Israel, EUA, Irã e Líbano – se manifestaram.

Israel, com Danny Danon, embaixador israelense na ONU

Danon dobrou a aposta após o ataque do Irã e prometeu que Israel dará uma resposta “precisa e dolorosa”. Ele disse que o mundo precisa dar um passo atrás e ficar fora disso, pois o Irã vai pagar caro pelo ataque de mísseis desferido contra Israel na noite do dia 30 de setembro. O embaixador diz que o governo iraniano parou de se esconder e colocou o rosto sob a luz e agora todos podem ver sua face monstruosa.

O embaixador israelense lembrou uma série de ataques terroristas que, segundo ele, teriam sido patrocinados pelo Irã em outros países. “Por trás de cada bomba está o regime iraniano”.

Ele ainda perguntou o que outros países fariam se centenas de bomba – “um ataque inimaginável” – fosse desferido contra seus povos. “Nos vamos nos defender. Aqueles que nos atacarem sofrerão severas consequências. (…) O tempo para complacência acabou. (…) O tempo para simpatia e para desescalar a guerra passou”.

Em nome de Israel, ele apelou para que Irã seja punido pela comunidade internacional.

Irã, com Amyr Said, embaixador iraniano na ONU

Said acusou Israel de praticar genocídio e ilegalidades no Líbano. Afirmou que as forças israelenses violam direitos dos libaneses e assassinaram líderes do Hezbollah, além de um conselheiro do Irã em Beirute. Lembrou que, em abril de 2024, uma missão diplomática do Irã na Síria foi atacada e o Conselho de Segurança da ONU não tomou nenhuma medida. Em setembro passado, um líder do Hamas e ministro palestino foram atacados em agenda oficial. São violações ao direito internacional e à Resolução 1701, mas o Conselho da ONU não faz nada disse ele.

“Irã pede paz e fim dos ataques a civis na região, mas Israel só entende a linguagem da força. Israel cometeu atos atrozes e a resposta do Irã foi necessária. E cada novo ato de agressão terá consequências e não será esquecido.”

“A comunidade internacional não pode se manter em silêncio. Conselho de Segurança da ONU precisa intervir para evitar que a situação fique ainda mais acirrada e se torne uma guerra regional”, defendeu o embaixador iraniano.

Estados Unidos, com Linda Thomas-Greenfield, embaixadora americana na ONU

Ela disse que Israel defende a aplicação completa da Resolução 1701 da ONU mesmo estando em guerra com Hamas e Hezbollah. Para os EUA, a diplomacia permanece sendo a prioridade para o fim dos conflitos, por meio da Resolução 1701.

Porém, os EUA vão continuar respeitando o “direito de Israel de se defender do Hamas, Hezbollah ou houthis” (grupo do Iemen que faz ataques a Israel). “Mas como ele se defende importa. É preciso poupar os civis. Como disse o presidente Biden, os EUA apoiam Israel, mas suas ações precisam ser defensivas e Irã precisa ser responsabilizado por suas ações.”

Líbano, com Nuhad Mahmud, embaixador libanês na ONU

O embaixador prestou solidariedade a António Guterres, que esta impedido de entrar em Israel, e acusou o pais comandado por Netanyahu de promover quase 12 meses de barbaridades aos civis em sua guerra contra o Hamas, praticando crimes de guerra.

Afirmou que Israel distorce a narrativa da guerra local, atacando deliberadamente e fazendo parecer que é apenas defesa. Clamou pela implementação completa da Resolução 1701, com a saída imediata das forças israelenses do território libanês. Só assim, disse ele, essa guerra cega e bárbara poderá ter um cessar-fogo.

Ele também defendeu o caminho diplomático como solução para o massacre de Israel contra os palestinos. O embaixador falou que e obrigação do Conselho de Segurança da ONU evitar a implosão do Oriente Médio, e pediu ajuda dos demais países com doações para fazer frente à crise humanitária.

Mahmud ainda lembrou que Israel já invadiu o Líbano três vezes, e sempre terminou com morte de milhares de civis, seguido da derrota e recuo das tropas israelenses. “Está última tentativa não será diferente”, disse.

ONU, o secretário-geral António Guterres

“A linha azul sofre tensões há anos, mas desde outubro a troca de tiros se expandiu em profundidade e quantidade. A guerra entre Hezbollah, Hamas e outros grupos armados não-estatais e as tropas de Israel são uma violação à Resolução 1701 da ONU. A soberania do Líbano precisa ser respeitada em todo seu território.”

“Com a escalada dos últimos dias, eu me pergunto o que resta da estrutura que este Conselho estabeleceu com a Resolução 1701.”

Segundo Guterres, os civis estão “pagando as contas. “Mais de 1700 morreram no Líbano e 300 mil estão desalojados. Cerca de 128 mil pessoas, tanto sírias quanto libanesas, deslocaram-se para a Síria.”

“É essencial evitar uma guerra total no Líbano, que teria consequências profundas e destruidoras.”

Leia mais