Pauta verde da Câmara para a COP28 pode virar cinza e custar caro para o bolso e o meio ambiente

Foto: Reprodução | Agência Petrobras

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

30 Novembro 2023

Deputados aprovam PL do hidrogênio de baixo carbono sem subsídios, mas poderão incluir térmicas a gás fóssil e até carvão no marco das eólicas offshore.

A informação é publicada por ClimaInfo, 29-11-2023.

Como queria o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), os deputados federais se envolveram numa força tarefa para aprovar projetos de lei que estavam empacados na casa e que tratam de temas ligados ao setor de energia e meio ambiente. Mas, na corrida pela aprovação de uma “pauta verde” para fazer bonito na COP28, parlamentares incluíram nos textos temas bastante cinzas, como incentivos a termelétricas a gás fóssil e até mesmo ao carvão.

Os deputados aprovaram regime de urgência para quatro projetos de lei da “pauta verde”: PL 2.308/23, que regulamenta a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono; PL 1.1247/18, do marco regulatório para eólicas offshore; PL 2.809/23, que disciplina a certificação voluntária do Lítio Verde; e PL 5.174/23, que institui o Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN). Entretanto, somente o primeiro foi votado. Os demais ficaram para uma sessão extraordinária nesta 4ª feira (29/11).

A comissão especial da Câmara aprovou o marco legal para o hidrogênio de baixo carbono no Brasil. A pedido do governo, a maioria dos incentivos tributários, regulatórios e tarifários foi excluída da proposta. Segundo o Valor, ficou apenas a criação do Regime Especial de Incentivos para a Produção de Hidrogênio de Baixo Carbono (Rehidro), que concederá benefícios nos moldes do já existente Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura (REIDI).

A grande polêmica da “pauta verde”, contudo, é o PL 1.1247/2018. O relator, deputado Zé Vítor (PL-MG), incluiu diversos jabutis que nada têm a ver com as eólicas offshore. Além de não prever os impactos socioambientais desses projetos e a devida consulta a comunidades afetadas para sua aprovação, o texto criou reservas de mercado para térmicas a gás fóssil, a possibilidade de as distribuidoras de gás definirem o preço do combustível e até mesmo pode ainda incluir benefícios para usinas a carvão mineral. Além de mais emissões de gases de efeito estufa, tudo isso pode gerar custos de R$ 28 bilhões anuais para todos os consumidores de energia elétrica, calcula a ABRACE.

Várias associações, como a Frente Nacional dos Consumidores de Energia, protestaram e se mobilizaram para tentar retirar do substitutivo esses temas completamente exteriores às eólicas offshore.

A Coalizão Energia Limpa e o GT Clima e Energia do Observatório do Clima, lançaram uma nota contra a manutenção do texto a ser votado nesta 4ª feira. Na nota as organizações “recomendam enfaticamente que o PL 11.247/2018 seja alterado, de forma a corrigir os potenciais impactos aos consumidores, às populações afetadas pelos projetos, ao meio ambiente e à transição energética justa. E que o texto do PL fique restrito apenas à questão original, que é referente ao marco das usinas eólicas offshore.”

Leia mais