Líbia, dossiê ONU: guarda costeira em conluio e em rede com os traficantes

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26 Julho 2023

O cemitério dos descartados fica em Cufra, ao longo das trilhas do deserto em direção ao Sudão. Um cemitério entre pedras e areia com os restos mortais de pelo menos 20 migrantes torturados jogados nas covas. A Comissão independente da ONU sobre os direitos humanos na Líbia reuniu novas provas de "cumplicidade por parte das autoridades". Mas quando pediram esclarecimentos receberam "nenhuma resposta".

A reportagem é de Nello Scavo, publicada por Avvenire, 25-07-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

O dossiê foi encerrado em maio e entregue aos líderes da ONU em 21 de julho. Os países envolvidos nas relações com a Líbia, começando pela Itália, foram informadas. Mas nenhuma denúncia interrompe a entrega de barcos-patrulha e o treinamento de guarda-costas que os especialistas da ONU acusam ser o instrumento essencial para o mercado de seres humanos. A vala comum de Cufra é apenas um indício. A cadeia do contrabando de homens envolve instituições e criminalidade. Um sistema integrado que, por um lado, finge atender os pedidos europeus para barrar os fluxos migratórios e, por outro, alimenta-o elevando o preço que as chancelarias têm de pagar aos traficantes através dos seus ‘laranjas’ nas instituições. Foram apurados "motivos razoáveis ​​para considerar que o pessoal de alto nível da Guarda Costeira da Líbia, do Aparelho de Apoio à Estabilidade e da Direção de Combate até a Guarda Costeira da Líbia, do Aparelho de Apoio à Estabilidade e da Direção de Combate à Migração Ilegal - é a acusação – estejam em conluio com traficantes e contrabandistas, que estariam ligados a grupos milicianos, no âmbito da intercepção e da privação de liberdade dos migrantes".

Ganha-se para interceptar migrantes no mar, e se multiplicam as rendas para libertá-los assim que forem levados para os campos de prisioneiros em terra. O grupo de trabalho "também encontrou motivos razoáveis ​​para acreditar que os guardas exigiriam e receberam pagamentos pela libertação dos migrantes". A ponto de poder afirmar que todo o sistema, desde a captura no mar até os bloqueios de entrada por terra, faz parte de um esquema de negócio: “Tráfico, escravização, trabalho forçado, detenção, extorsão e contrabando de seres humanos geraram receitas significativas para indivíduos, grupos e instituições estatais. Somente em Tazirbu, no sudeste da Líbia, nos últimos dois anos "pelo menos 700 pessoas teriam sido libertadas e transferidas para outros centros de detenção depois de serem mantidos em cativeiro e torturados para fins de resgate”. De Trípoli ainda não chegam respostas aos pedidos das agências humanitárias da ONU. “E até quando os governos europeus - observa um funcionário humanitário em Trípoli - continuarão a ceder à chantagem da Líbia sem pedir maior transparência em troca, os chefões continuarão a mandar”. No dossiê está escrito sem recorrer a acrobacias lexicais: “As vítimas do tráfico foram transferidas para centros de detenção onde não foi concedido o acesso a agências humanitárias, advogados ou organizações da sociedade civil”.

Depois, há o caso de 120 migrantes e refugiados aparentemente libertados pela Direção líbica de combate à migração ilegal (Dcim) em fevereiro de 2023. Na realidade, eles foram deportados para um lugar desconhecido e em circunstâncias que poderiam ser consideradas entre os crimes de “desaparecimento forçado”.

Nas últimas semanas, coincidindo com a crise migratória na Tunísia e com as entregas de equipamento destinado a Trípoli da Itália, alguns canais de propaganda da Líbia estão mostrando com insistência as operações policiais para a prisão de traficantes de pessoas. Nada mais que truque para enganar as opiniões públicas europeias, fazendo-as acreditar que na Líbia a caça aos contrabandistas de seres humanos está em pleno andamento. Entre muitos, os especialistas da ONU citam um caso. Os nomes dos protagonistas estão protegidos, até porque entre eles há alguns procurados pelo Tribunal Penal Internacional cujas identidades serão mantidas em segredo por mais algumas semanas.

“Apesar do envolvimento de pelo menos um conhecido cidadão líbio - consta no relatório -, aparentemente apenas cidadãos não líbios foram presos por suposto envolvimento em abusos de detenção".

O objetivo? Encobrir "a cumplicidade de parte das autoridades líbias" às quais é criticada “a incapacidade de conduzir investigações eficazes para garantir as responsabilidades por essas graves violações dos direitos humanos”.

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