Dom Rolando Alvarez diz não ao exílio e explode negociações entre o ditador Ortega e o Vaticano

Mons. Rolando Álvarez | Foto: Ramirez 22 nic

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12 Fevereiro 2023

Na lista dos duzentos presos políticos que Daniel Ortega, mestre da Nicarágua, expulsou para os Estados Unidos, constava também o bispo de Matagalpa e administrador apostólico de Estelí, Dom Rolando Alvarez, em prisão domiciliária há muitos meses e agora em julgamento, cuja sentença - já escrita - será de pelo menos 10 anos de prisão por alegados crimes contra a democracia e a estabilidade do país. Acusações às quais se somam outras do tipo: espionagem, sujeição à vontade dos Estados Unidos, propaganda contra a nação.

A reportagem foi publicada por Il Sismografo, 10-02-2023.

Nas últimas semanas, o Vaticano, que não tem um núncio em Manágua desde março de 2022 após a expulsão de Waldemar Stanislaw Sommertag, buscou intensamente uma solução do "modelo Báez", ou seja, tirar o bispo do país apresentando seu comportamento como uma atitude generosa, em um gesto do prelado em resposta a um pedido do Vaticano, possivelmente do próprio Papa. Diz-se que teria sido uma contribuição da Igreja para diminuir as graves tensões que perturbam a sociedade nicaraguense há mais de cinco anos.

Assim aconteceu com o bispo auxiliar de Manágua, Dom Silvo Báez, que deveria trabalhar no Vaticano em uma importante missão. Naquela época, a geopolítica tratava de domesticar Daniel Ortega. Todos falharam como era de se esperar. (abril de 2019).

A missão (Báez) nunca existiu e hoje o bispo trabalha em Miami na pastoral da Nicarágua. Com este precedente, Dom Rolando teme um futuro idêntico e por isso, com muita coragem, disse 'não' a ​​Ortega que o incluiu na lista dos 200 enviados para os EUA. Portanto, não foi possível uma solução consensual - Vaticano/Ortega - e, se o bispo em julgamento não receber uma ordem peremptória da Santa Sé para deixar o país (pode haver mil pretextos), terá que ir para a prisão para cumprir sua sentença, apesar de ser inocente.

Enquanto isso, como tem acontecido desde o início do triste caso, o Papa está em silêncio e também outros que deveriam ter dito algumas palavras.
Para a igreja latino-americana, que nesta matéria se limita a declarações genéricas pedindo solidariedade e orações, trata-se de uma conduta inédita. Nas últimas décadas foi diferente. Não teve medo de fazer barulho e erguer sua voz autoritária e prestigiosa, em muitos momentos mesmo em tensão com o Vaticano.
Hoje a ordem das coisas é outra. Hoje devemos aplaudir sempre, independentemente.

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