O monge sequestrado por extremistas islâmicos é o novo arcebispo de Homs

Monge Jacques Mourad | Foto: La Stampa

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16 Janeiro 2023

Há pouco mais de um ano, falando aos alunos do colégio Amaldi em Roma, disse "que a violência só existe quando há uma reação violenta". Se for acolhida "com paciência, amor, sensibilidade, a violência vai embora". Padre Jacques Mourad é o novo arcebispo de Homs. O Papa deu seu consenso à eleição feita pelo Sínodo dos bispos da Igreja patriarcal de Antioquia dos Sírios. O nome de Mourad volta assim às manchetes por um motivo muito mais agradável do que sete anos atrás. Na época o sentimento dominante era a angústia.

A reportagem é de Riccardo Maccioni, publicada por Avvenire, 14-01-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um “calvário” espiritual que começou em 21 de maio de 2015 quando o monge foi sequestrado por um grupo de extremistas islâmicos no mosteiro de Mar Elian, na Síria e só terminou quando ele foi solto após cinco meses de cativeiro. Naqueles dias – contou aos estudantes romanos – recebi dois dons: a capacidade de olhar nos olhos os meus captores “buscando o homem, e o silêncio. Não reagir à violência foi a resposta mais forte, tanto que meus carcereiros começaram a me tratar com menos dureza. Eu ficava em silêncio com um pequeno sorriso e um olhar manso”.

Mourad, nascido em Aleppo, na Síria, em 28 de junho de 1968, é cofundador da comunidade Mar Musa, juntamente com o padre Paolo Dall'Oglio, o jesuíta romano sequestrado em 2013 e do qual não se sabe mais nada.

Depois de entrar no Seminário de Charfet no Líbano, a biografia do novo bispo continua com um bacharelado em filosofia e teologia e, posteriormente, uma licenciatura em liturgia na Universidade Saint-Esprit de Kaslik. Entrando na comunidade monástica de Deir Mar Musa Al-Abashi, Mourad fez seus primeiros votos em 20 de julho de 1993. Em 29 de junho de 2011 foi ordenado sacerdote e nomeado cardeal na arquieparquia de Homs dos Sírios. De 2000 a 2015 foi responsável pelo Convento de Mar Elian e pela paróquia de Qaryatayn.

Ex-secretário pessoal do arcebispo, relata o boletim da Sala de Imprensa do Vaticano, com a invasão da planície de Nínive cuidou dos sírios deslocados na igreja Mar Shmoni em Erbil, e por dois anos foi "protossincelo", ou seja, vigário geral da arquieparquia. Entre as outras funções que lhe foram confiadas, destaca-se a de professor de Sagrada Escritura e curador de um programa de rádio. Após o sequestro, contado no livro “Un monaco in ostaggio. La lotta per la pace di un prigioniero dei jihadisti” publicado na Itália por Effatà, morou nos mosteiros de Cori, na Itália e Sulaymanyah (Iraque). Retornando à Síria em 2020, foi vice-superior e ecônomo da comunidade de Mar Elian.

Um pastor, portanto, embora relativamente jovem, mas com grande experiência, amadurecida no sofrimento, a que opôs a oração e o diálogo. Bases sobre as quais alicerçou o seu empenho na reconstrução. Humana, de si mesmo, e material. Aquela, em particular, do mosteiro de Mar Elian, que os jihadistas destruíram. Um novo começo - escreveu Mourad em uma carta divulgada pela AsiaNews - "coroado pela reconsagração da igreja e da capela pelas mãos do bispo siríaco católico de Damasco, Jihad Battah, e do bispo siríaco-ortodoxo de Homs, Matta el-Khoury. A presença dos dois bispos constituiu um ato solene de reconciliação entre as duas Igrejas de Qaryatayn, que no passado tiveram fortes divergências sobre a propriedade do próprio mosteiro".

Porque o diálogo sempre ajuda e supera abismos de incompreensão. Dentro da própria família e, mais ainda, em relação a credos diferentes dos nossos. “Na relação com os outros – explica Mourad – é preciso mais humildade e clareza. Precisamos ler profundamente o Evangelho para vivê-lo como se deve”.

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