Presbíteros sinodais: comunhão, participação e missão. Artigo de Eliseu Wisniewski

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15 Agosto 2022

 

"As rápidas e sucessivas transformações da sociedade pedem uma nova configuração eclesial e, constituem um desafio para os presbíteros em suas mentalidades e práticas, certamente para além do tempo da cristandade", escreve Eliseu Wisniewski, Presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul e mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), ao comentar o livro "Presbíteros sinodais: comunhão, participação e missão" (Santuário, 2022, 240 p.), de Jésus Benedito dos Santos.

 

Eis o artigo.

 

O presbítero sinodal é o “homem da comunhão, da participação e da missão” (p. 17), “ser um ministro sinodal é ter as marcas de Jesus o Bom Pastor” (p. 16). Assim o define Jésus Benedito dos Santos no livro: Presbíteros sinodais: comunhão, participação e missão (Santuário, 2022, 240 p.). Nesta obra estruturada em cinco partes, o referido autor que há muito tempo têm se dedicado aos temas referentes à vida presbiteral, sabedor do desafio da empreitada de falar do ministro ordenado sinodal, “para ser um ministro ordenado sinodal, faz-se necessária uma nova e antiga refundação de sua identidade” (p. 218), aborda algumas exigências do caminho sinodal da Igreja.

 

Foto: Divulgação

 


A primeira parte aborda o tema da sinodalidade como o caminho para a Igreja do terceiro milênio (p. 19-64). Nas páginas deste capítulo o autor esclarece as seguintes perguntas: O que significa ser Igreja sinodal? Quais são os espaços de diálogo e comunhão dentro da Igreja e como potencializá-los ainda mais? Onde precisa abrir espaço para o diálogo e que caminho seguir? e, nas pegadas do Concílio Vaticano II (p. 48-54), caracteriza o caminho sinodal como: a) o caminho para a Igreja do futuro (p. 20-26), b) o caminho da misericórdia (p. 26-33), c) o caminho em favor dos mais frágeis (p. 33-38), d) o caminho da loucura do Evangelho (p. 38-45), d) o caminho de Deus (p. 45-48), e) o caminho da justiça de Deus (p. 54-57), f) o caminho do diálogo (p. 57-60), g) o caminho da hospitalidade (p. 60-63).


Na segunda parte, tendo como fio condutor estas perguntas: Como fazer de nossa jornada humana uma jornada segundo o Evangelho de Jesus? Quais são os sinais da jornada sinodal na vida dos discípulos de Jesus? (p. 66), Jesús Benedito dos Santos explicita a sinodalidade como o caminho do Evangelho de Jesus (p. 65-95). Em primeiro lugar, o autor observa que o caminho sinodal não é abstrato, mas de sinais concretos como vemos no agir de Jesus (p. 66-70), em seguida chama atenção para algumas implicações concretas para a vivência da sinodalidade proposta pelo Evangelho: a) a evangelização que brota da compreensão de em Deus sinodal (p. 70-72), b) sinodalidade e o juízo final (p. 72-78), c) a sinodalidade como “volta ao ninho”, ou seja, vivida na comunhão (p. 78-81), d) sinodalidade e não-violência (p. 81-86), e) a casa como o lugar da sinodalidade (p. 86-89), f) a sinodalidade como o caminho cristão (p. 89-93).


A terceira parte discorre sobre três qualidades essenciais da sinodalidade: comunhão, participação e missão (p. 97-132). O autor salienta que pela dinâmica da comunhão e da participação é possível promover uma sinodalidade que transforma as relações humanas (p. 98-100), permite caminhar na leveza/ “mochilas vazias” (p. 100-105), viver em inquietude sinodal (p. 105-107), ser cristão e não cristianista (p. 107-111), o reconhecimento das individualidades e a superação da massificação (p. 112-116), a cultura do encontro e a derrubada os muros de separação e isolamento de nichos ou tribos (p. 116-119), desenvolve a consciência interplanetária (p. 119-122), a vivência da justiça social (p. 122-126), a comunhão por meio do diálogo, escuta e abertura de coração reconhecendo o outro como irmão e caminhando com ele (p. 127-132).


Na quarta parte intitulada - “Por uma espiritualidade sinodal” (p. 133-174), Jesús Benedito dos Santos lembrando que a Santíssima Trindade é o maior símbolo da comunhão / o ícone da espiritualidade sinodal (p. 133-138), ressalta que a sinodalidade é também uma competência a ser desenvolvida na espiritualidade (p. 138-140). Uma espiritualidade sinodal que possibilite acolher a cultura atual (p. 153-158), reconhecer nela “novos rostos” (p. 141-145) a abertura para a vivência dos valores do Reino de Deus (p. 145-148), a superação de espiritualidades desencarnadas e negacionistas (p. 148-153), a recuperação da sinodalidade vivenciada na liturgia (p. 158-169), que acolhe os pecadores (p. 169-174).


A quinta reflexão trata especificamente da sinodalidade vivenciada pelos ministros ordenados (p. 175-216). Chamando a atenção para a crise das mediações culturais, neste contexto, o autor destaca a importância dos ministros ordenados serem os “mediadores da sinodalidade” (p. 176-180), agindo não só “pelo politicamente correto”, mas discernindo quais positividades/possibilidades existem em cada mediação (p. 180-185). Assim a sinodalidade que nasce da inquietude do amor (p. 193-198), se torna a ponte para a integração social (p. 185-188), promovendo diversas rupturas e renovando pessoas, mentalidades, ações, estruturas eclesiais e sociais (p. 188-193). Ser ministro ordenado sinodal significa, ainda, considerar a cultura urbana e a qualidade de vida nas cidades, às questões éticas, valores culturais propagados, responsabilidade social, justiça social, questões climáticas e ecológicas, seguimento de Jesus no hoje da história (p. 198-205), superando o clericalismo e buscando a renovação por fidelidade a Jesus (p. 205-210), promovendo caminhos de vida (p. 211-215).


Nas considerações finais (p. 217-220), o referido autor observa que “as mediações que se apresentam para ser ministro ordenado sinodal, estando disposto a vencer todos os extremismos e legalismos, formando o homem novo, derrubando os muros de separação, caminhando junto, construindo comunhão, são, sobretudo antigas e novas, sendo, sobretudo: proximidade, diálogo, comunhão e misericórdia” (p. 217).


***


Enxergar o ministério ordenado sob a luz da sinodalidade... Dado o momento eclesial voltado para a sinodalidade - esta obra do padre Jesús Benedito dos Santos, por um lado, é uma provocação e um desafio ao ministério ordenado na Igreja, sobretudo para as novas gerações de ministros eclesiásticos, por vezes resistentes às transformações em curso, ligados à tendência tradicionalista e concebendo o ministério como carreira eclesiástica e como refúgio no âmbito do sagrado diante de uma sociedade complexa e crítica que não mais lhe reconhece o status social privilegiado do passado, compensando esta perda de influência com certo autoritarismo em seu âmbito de poder. As rápidas e sucessivas transformações da sociedade pedem uma nova configuração eclesial e, constituem um desafio para os presbíteros em suas mentalidades e práticas, certamente para além do tempo da cristandade.


Por outro lado, as reflexões aí propostas são de natureza introspectiva. O autor oferece excelente material de reflexão e meditação para bispos, padres bem como para encontros de presbíteros. O autor foge dos padrões acadêmicos, mas sabe conjugar informação e meditação. Por isso, as páginas de cada capítulo servem em primeiro lugar para serem meditadas que simplesmente lidas.


Na Apresentação (p. 9-11), desta obra, Pe. Eduardo Rodrigues da Silva assim se expressa: “o livro chega à boa hora, e é agora, no kairós do presente em que vivemos, quando o Espírito Santo, alma da Igreja, inspira a vivência da comunhão e da missão, ajudando a discernir os sinais dos tempos à luz da Palavra de Deus, Jesus Cristo, o enviado do Pai. Trata-se, ao estilo peculiar do autor, de um livro provocativo, que permite pensar, acolher, divergir, elaborar sínteses e vislumbrar propostas a partir do exposto” (p. 9), juízo este com o qual concordo.

 

Referências

 

SANTOS, Jésus Benedito. Presbíteros sinodais: comunhão, participação e missão. São Paulo: Santuário, 2022, 240 p. ISBN9786555271980.

 

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