Renda per capita brasileira abaixo da média da América Latina. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

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14 Junho 2022

 

"O Brasil acompanha pari passu o ritmo da América Latina e Caribe (ALC) e também está preso à armadilha da renda média", escreve José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo e pesquisador em meio ambiente, em artigo publicado por EcoDebate, 13-06-2022.

 

Eis o artigo.

 

A economia internacional cresceu 3,4% ao ano no período 1980-2027, segundo os dados e as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgados no relatório WEO em abril de 2022. Mas este crescimento foi diferenciado de acordo com as regiões. As economias avançadas (ricas) cresceram em média 2,3% no período. Todos os países em desenvolvimento apresentaram crescimento de 4,5% ao ano. Mas as economias emergentes da Ásia cresceram 7% ao ano, os países da África Subsaariana 4% ao ano e os países da América Latina e Caribe (ALC) apresentaram crescimento médio de 2,5% ao ano, no período de 47 anos. Portanto, a ALC apresentou o menor crescimento entre as economias emergentes.

 

Em termos de renda per capita, as economias avançadas tiveram crescimento de 1,7% ao ano no período 1980-2027, o total de países em desenvolvimento (emergentes) apresentaram crescimento de 2,8% ao ano, as economias emergentes da Ásia 5,5% ao ano e a ALC e a África Subsaariana com 0,7% ao ano. Da mesma forma, os países latino-americanos apresentaram crescimento da renda per capita bem abaixo do que a média das economias emergentes.

 

Dentro da América Latina o crescimento também foi diferenciado. Em 1980, a ALC tinha uma renda per capita em poder de paridade de compra (ppp) de US$ 11,8 mil e o Brasil de US$ 11,4 mil. Entre 1980 e 2027 a renda per capita da ALC cresceu 0,72% ao ano e o Brasil 0,68% ao ano. Países da região com renda per capita abaixo da média da ALC e do Brasil estão o Peru, o Paraguai, o Equador e a Bolívia, conforme mostra o gráfico abaixo.

 

 

 

Todos os países do gráfico abaixo apresentam renda per capita acima da média da ALC e do Brasil, sendo que a maioria deles ultrapassou o Brasil no período de 1980 a 2027. Acima de U$ 35 mil em 2027 estão apenas Porto Rico e o Panamá. Entre US$ 20 mil e 25 mil em 2027 estão México, Costa Rica, República Dominicana, Uruguai e Chile. A Colômbia com renda de US$ 17,6 mil está logo acima do Brasil.

 

 

 

Nestes 47 anos em questão, os maiores crescimentos da renda per capita aconteceram na República Dominicana (3% ao ano), Panamá (2,6% aa), Chile (2,4% aa), Colômbia (1,9% aa), Uruguai e Costa Rica (1,8% aa), Porto Rico (1,7% aa), Peru (1,4% aa), Paraguai (1,1% aa), Bolívia (0,9% aa), Equador e Brasil (0,7% aa), México (0,6% aa) e a Argentina (0,55% ao ano).

 

O quadro geral mostra que a América Latina é uma região de renda média, mas que apresenta um lento crescimento nas últimas décadas. A Ásia emergente, por exemplo, tem renda per capita menor do que a ALC, mas apresenta um crescimento médio de longo prazo muito maior e deve ultrapassar a renda latino-americana em breve.

 

Na ALC, entre 1980 e 2027, os países com menores taxas de crescimento da renda per capita (abaixo de 1% ao ano) são Bolívia, Equador, Brasil, México e Argentina, sendo que esta última está na lanterna geral do ranking da região. Os maiores crescimentos da renda per capita foram da República Dominicana, Panamá e Chile (todos acima de 2% ao ano).

 

O fato é que a ALC é uma região de renda média e que está presa na armadilha do baixo crescimento. O Brasil acompanha pari passu o ritmo da ALC e também está preso à armadilha da renda média. Além disto a ALC e o Brasil possuem grande desigualdade da renda. As dificuldades têm se agravado e o Brasil terá que realizar grande esforço para garantir o crescimento da renda e do bem-estar de toda a população.

 

Os dados do IBGE confirmam os dados do FMI. A PNAD Contínua, divulgada neste mês de junho, apontou que o rendimento médio mensal real domiciliar per capita do Brasil, em 2021, foi de R$ 1.353, o menor valor da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. Entre as regiões, o Nordeste segue com menor rendimento médio mensal domiciliar per capita (R$ 843). A queda do rendimento mensal domiciliar per capita foi mais intensa entre as classes com menor rendimento. A desigualdade cresceu para o conjunto da população e ficou praticamente estável para a população ocupada. Em 2021, o rendimento médio do 1% da população que ganha mais era 38,4 vezes maior que o rendimento médio dos 50% que ganham menos.

 

Este quadro de diminuição da renda per capita é agravado pelo aumento do preço dos alimentos, que subiu em todo o mundo em 2021 e bateu recordes históricos em 2022, depois da invasão da Ucrânia pela Rússia. Evidentemente, comida mais cara e renda mais baixa provoca aumento da fome e da insegurança alimentar (Alves, 06/06/2021). Por conseguinte, há muito a que se fazer na área econômica, social e ambiental no país para reverter a situação de regressividade da renda per capita.

 

Referências: 

 

ALVES, JED. A América Latina submergente, Ecodebate, 31/07/2019

ALVES, JED. A América Latina terá mais uma década perdida com o impacto da covid-19, Ecodebate, 27/07/2020

ALVES, JED. Degradação dos solos, crise climática, pandemia, guerra na Ucrânia e a catástrofe da fome, Ecodebate, 06/06/2022

ALVES, JED. Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI (com a colaboração de GALIZA, F), ENS, maio de 2022

 

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