Audiência com os participantes na sessão plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, 21.01.2022

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25 Janeiro 2022

 

Esta manhã, no Palácio Apostólico Vaticano, o Santo Padre Francisco recebeu em audiência os participantes da Assembleia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé.

Publicamos a seguir o discurso que o Papa dirigiu aos presentes durante a audiência.

 

O texto foi publicado por ?, data. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Discurso do Santo Padre

 

Senhores Cardeais,

caros irmãos no episcopado e no sacerdócio,

caros irmãos e irmãs!

Estou feliz em dar-vos as boas-vindas no final dos trabalhos da vossa Assembleia Plenária. Agradeço ao Prefeito a sua introdução e saúdo todos vós, Superiores, Oficiais e Membros da Congregação para a Doutrina da Fé. Renovo a minha gratidão pelo vosso precioso serviço à Igreja universal, na promoção e tutela da integridade da doutrina católica sobre fé e moral. Integridade fecunda.

Nesta ocasião, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões, reunindo-as em torno de três palavras: dignidade, discernimento e .

A primeira palavra: dignidade. Como escrevi no início da Encíclica Fratelli tutti, é meu grande desejo "que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer entre todos um anseio mundial de fraternidade" ( nº 8). Se a fraternidade é o destino que o Criador projetou para o caminho da humanidade, a via principal continua sendo aquela do reconhecimento da dignidade de cada pessoa humana.

Em nossa época, porém, marcada por tantas tensões sociais, políticas e até sanitárias, cresce a tentação de considerar o outro como um estranho ou um inimigo, negando-lhe uma real dignidade. Por isso, especialmente neste momento, somos chamados a recordar, "em todas as ocasiões oportunas e não oportunas" (2 Tm 4,2), e seguindo fielmente um ensinamento eclesial bimilenar, que a dignidade de cada ser humano tem um caráter intrínseco e vale desde o momento de sua concepção até sua morte natural. Precisamente a afirmação de tal dignidade é o pressuposto irrenunciável para a tutela de uma existência pessoal e social, e também a condição necessária para que a fraternidade e a amizade social possam se realizem entre todos os povos da terra.

A Igreja, desde o início da sua missão, sempre proclamou e promoveu o valor intangível da dignidade humana. O homem é, de fato, a obra-prima da criação: é quisto e amado por Deus como parceiro dos seus desígnios eternos, e para a sua salvação Jesus deu a sua vida até morrer na cruz para cada homem, para cada um de nós.

Agradeço-vos, portanto, a reflexão que iniciastes sobre o valor da dignidade humana, tendo em conta os desafios que a realidade atual coloca a esse propósito.

A segunda palavra é discernimento. Hoje, cada vez mais aos crentes é pedida a arte do discernimento. Na mudança de época que estamos atravessando, enquanto por um lado os crentes se encontram diante de questões inéditas e complexas, pelo outro, aumenta uma necessidade de espiritualidade que nem sempre encontra seu ponto de referência no Evangelho. Assim acontece que não raramente tenhamos que lidar com supostos fenômenos sobrenaturais, para os quais o povo de Deus deve receber indicações seguras e sólidas.

O exercício do discernimento encontra também um campo de aplicação necessária na luta contra os abusos de todo tipo. A Igreja, com a ajuda de Deus, está levando adiante com firme determinação o empenho de render justiça às vítimas dos abusos cometidos pelos seus membros, aplicando com particular atenção e rigor a legislação canónica prevista. Diante disso, recentemente procedi à atualização das Normas sobre os crimes reservados à Congregação para a Doutrina da Fé, com o desejo de tornar mais eficaz a ação judicial. Isso por si só não pode bastar para conter o fenômeno, mas constitui um passo necessário para reestabelecer a justiça, reparar o escândalo e corrigir o infrator.

Um semelhante empenho de discernimento também se expressa em outro campo com o qual vocês tratam diariamente: a dissolução do vínculo matrimonial in favorm fidei. Quando, em virtude do poder petrino, a Igreja concede a dissolução de um vínculo matrimonial não sacramental, não se trata apenas de pôr termo canônico a um matrimônio, que de fato já fracassou, mas, na realidade, por meio deste ato eminentemente pastoral, entende-se sempre favorecer a fé católica - in favorm fidei! - na nova união e na família, da qual tal novo casamento será o núcleo.

E aqui eu gostaria de focalizar também a necessidade de discernimento no percurso sinodal. Alguns podem pensar que o percurso sinodal é ouvir a todos, fazer um levantamento e apresentar os resultados. Tantos votos, tantos votos, tantos votos... Não. Um percurso sinodal sem discernimento não é um percurso sinodal. É necessário - no percurso sinodal - discernir continuamente as opiniões, os pontos de vista, as reflexões.

Não se pode percorrer o caminho sinodal sem discernir. Esse discernimento é o que fará do Sínodo um verdadeiro Sínodo, do qual o personagem mais importante – digamos assim - é o Espírito Santo, e não um parlamento ou um levantamento de opiniões que as mídias podem fazer. Por isso ressalto: o discernimento no processo sinodal é importante.

A última palavra é fé. A vossa Congregação é chamada não só a defender, mas também a promover a fé. Sem a , a presença de crentes no mundo seria reduzida à de uma agência humanitária. A fé deve ser o coração da vida e da ação de cada batizado. E não uma fé genérica ou vaga, como se fosse um vinho aguado que perde valor; mas uma fé genuína e sincera, como o Senhor quer quando diz aos discípulos: "Se tivésseis fé como um grão de mostarda..." (Lc 17,6). Por isso, nunca devemos esquecer que “uma que não nos põe em crise é uma fé em crise; uma fé que não nos faz crescer é uma fé que deve crescer; uma fé que não nos questiona é uma fé sobre a qual devemos nos questionar; uma fé que não nos anima é uma fé que deve ser animada; uma fé que não nos sacode é uma fé que deve ser sacudida” (Discurso à Cúria Romana, 21 de dezembro de 2017).

Não nos satisfaçamos com uma fé morna, habitual, de manual. Colaboremos com o Espírito Santo e colaboremos entre nós para que o fogo que Jesus veio trazer ao mundo continue ardendo e inflamando os corações de todos.

Caríssimos, agradeço-vos muito pelo vosso trabalho e encorajo-vos a seguir em frente com a ajuda do Senhor. E por favor, não esqueçam de orar por mim. Obrigado.

 

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