Simone Weil. Sempre contra o messianismo

Fonte: Pxfuel

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19 Setembro 2021

 

“Há na prosa e nas intervenções de Simone Weil um maximalismo humanista que ressoa extemporâneo neste presente, talvez por isso mesmo seja necessário como uma lufada de ar fresco que é impossível de conceber em tempos céticos”, escreve Luis Diego Fernández, em análise publicada por Clarín-Revista Ñ, 14-09-2021. A tradução é do Cepat.

 

Eis o artigo.

 

Sobre a supressão geral dos partidos políticos, de Simone Weil, é um texto particular e talvez enganoso pelo seu título. Nascida em 1909, em Paris, e ingressante na École Normale Supérieure junto com Simone de Beauvoir, a filósofa francesa produz esse estranho opus, em 1940, fortemente crítico à instituição do partido político.

Nele, a pensadora começa sua reflexão a partir de uma frase do revolucionário bolchevique Mikhail Tomski sobre as lutas das diferentes facções sob o reinado do Terror: “Um partido no poder, os outros na prisão”. Expressando subsequentemente que, “na Europa, o totalitarismo é o pecado original dos partidos”.

Segundo a ensaísta, os traços essenciais dos partidos políticos se articulam a partir de três atributos: em primeiro lugar, são uma máquina de fabricar uma paixão coletiva; em um segundo aspecto, trata-se de uma organização construída para exercer pressão sobre o pensamento de cada um dos seres humanos que são seus membros; e o terceiro elemento é que seu único fim é o seu próprio crescimento sem limite algum. Esse triplo caráter leva Weil a afirmar categoricamente que “todo partido é totalitário em germe e aspiração”.

 

Visão anarquista

 

A partir de uma visão anarquista (Weil participou de grupos libertários na Guerra Civil Espanhola, lutando contra o regime franquista, e tentou entrar na França como combatente), a escritora questiona a dinâmica inflacionária e parasitária dos partidos políticos, a partir de uma conjuntura que a permeou (fascismo, nazismo, stalinismo), na qual os mesmos constituíam o organismo que absorvia o Estado e eram catalisados pela figura do líder totalitário e messiânico.

Nessa direção, Weil ressalta que aqueles que se desprendem do sistema de partidos receberão um castigo inapelável por sua indocilidade que abarca quase tudo (carreira, sentimentos, amizades, reputação, honra e inclusive a vida familiar).

Nesse aspecto, diz: “O Partido Comunista levou este sistema à perfeição”. Portanto, a filósofa não deixa espaço para dúvidas: “A conclusão é que a instituição dos partidos parece constituir um mal quase puro. São maus em princípio e em seus efeitos práticos”.

No texto adicional que faz parte do mesmo volume, intitulado Reflexões sobre a revolta, Weil argumenta: “O que esmaga a França moralmente é que saiu da guerra antes de ter entrado nela. A massa do povo francês ainda não havia assumido a atitude espiritual do combatente, em maio de 1940”.

De acordo com Weil, a libertação da França subjugada pelo exército alemão pode ser contraproducente, já que sua servidão não terminará, mas apenas mudará de dono, situação igualmente degradante, mesmo que seja menos visível.

Seja por meio do dinheiro estadunidense ou da tropa soviética, o destino que a intelectual enxerga para a França não é precisamente alentador, apesar da figura simbólica do General De Gaulle no horizonte.

Há na prosa e nas intervenções de Simone Weil um maximalismo humanista que ressoa extemporâneo neste presente, talvez por isso mesmo seja necessário como uma lufada de ar fresco que é impossível de conceber em tempos céticos.

 

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