Pai Nosso da Amazônia

Foto: Sociobio Amazonia | Flickr CC

Mais Lidos

  • Quando a Igreja perde seus ministros: notas teológico-pastorais sobre a desistência presbiteral. Artigo de Eliseu Wisniewski

    LER MAIS
  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS
  • Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos

    El Niño no RS: probabilidade de cheias é dobrada, mas há incerteza sobre a magnitude do fenômeno climático. Algumas análises

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

18 Agosto 2021

 

"Senhor, não nos deixeis cair na tentação do não enxergar, do não ouvir, de não profetizar a Amazônia que sofre e está esquecida em tantas culturas, em tantas línguas, em tantos sonhos, em tanta vida, em tantos lugares, em tantos seres irmãos nosso. Que vivamos uma ecologia integral".

A poesia é de Rita Floramar [1], professora assistente da Universidade Federal do Amazonas – UFAM e colaboradora do Serviço Inaciano de Espiritualidade – SIES de Manaus.

 

Eis a poesia.

 

Grande Espírito! Grande Criador! Que o cuidar e o criar sejam para ti glorificar.

Venha a nós o amor pelo belo, por tudo que existe, pela fauna e pela flora. Porque esse é o teu pedido. É o teu desejo, através de teus ensinamentos.

E façamos a tua vontade onde estamos, no chão que andamos, e aonde ainda não chegamos. E assim, santificado sempre será teu nome. 

O pão nosso encontrado nos elementos vitais, seja eternamente repartido pelo humano e por todos os outros seres viventes.

Que a terra andada, seja cuidada não para um, mas para todos e todas. Para o índio e não índio, para o caboclo, negro, ribeirinho, migrante, pelos seres que vemos e pelos que não vemos. Que ela seja poupada e não devastada.

Que a água sacie a sede da vida, do ser, do florescer, das espécies mil que nela encontram morada e sustento. Rogamos, pois, que não seja envenenada, nem por completo consumada. 

Que o ar traga teu ruah de solidariedade, de fraternidade, de uma boa nova para lidar com a diversidade, discernindo a verdade onde se precisa de ti!

Que o fogo aqueça os corações de toda criação, permitindo usar nossa liberdade para o fim pelo qual fomos criados. Todo esse entendimento nos dai hoje. Perdoai quando disso nos esquecemos. 

Senhor, não nos deixeis cair na tentação do não enxergar, do não ouvir, de não profetizar a Amazônia que sofre e está esquecida em tantas culturas, em tantas línguas, em tantos sonhos, em tanta vida, em tantos lugares, em tantos seres irmãos nosso. Que vivamos uma ecologia integral. Livrai-nos do mal da omissão e da injustiça e dai-nos o bem da prática do teu evangelho, para sempre, amém!

 

Nota:

[1] Possui graduação em Licenciatura Plena em Pedagogia pela Universidade Federal do Amazonas, graduação em Graduação em Pedagogia - Complementação de Habilitação pela Universidade Federal do Amazonas e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Amazonas. Atualmente e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação do Amazonas. É professora assistente da Universidade Federal do Amazonas. Tem experiência na área de Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de professores de educação escolar indígena, currículo, formação de professores indígenas, política afirmativa, interculturalidade, diálogo intercientífico, pedagogia decolonial e ensino superior. Colabora no Serviço Inácio de Espiritualidade – SIES de Manaus.

 

Leia mais