Papa Francisco não pede desculpas pelas mortes em ex-escola católica no Canadá

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07 Junho 2021

 

O pontífice falha em emitir um pedido de desculpas direto pelo papel da Igreja em internatos onde crianças foram abusadas.

A reportagem é de The Guardian, 06-06-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Papa Francisco disse “acompanhar com dor” a descoberta dos restos mortais de 215 crianças em uma ex-escola católica para estudantes indígenas no Canadá e pediu respeito pelos direitos e culturas dos povos nativos, mas não chegou a pedir as desculpas diretas que alguns canadenses exigiam.

Falando a peregrinos e turistas na Praça de São Pedro no Vaticano durante a sua bênção semanal nesse domingo, Francisco exortou os líderes religiosos católicos e os políticos canadenses a “colaborar com determinação” para lançar luz sobre a descoberta e buscar a reconciliação e a cura.

Francisco disse se sentir próximo “do povo canadense, traumatizado com a chocante notícia”.

Dois dias atrás, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, disse que a Igreja Católica deve assumir a responsabilidade pelo seu papel na administração de muitas das escolas.

Os internatos operaram entre 1831 e 1996, e eram administrados por várias denominações cristãs em nome do governo. A maioria era dirigida pela Igreja Católica. O governo canadense admitiu que o abuso físico e sexual era excessivo nas escolas, nas quais alunos eram espancados por falarem suas línguas nativas.

A descoberta no mês passado dos restos mortais das crianças na escola Kamloops Indian Residential, na Colúmbia Britânica, que fechou em 1978, reabriu velhas feridas e está alimentando a indignação no Canadá pela falta de informação e de responsabilização.

A chefe Rosanne Casimir, da Primeira Nação Tk’emlups te Secwepemc, na Colúmbia Britânica, disse que sua nação deseja um pedido público de desculpas da Igreja Católica. Os Missionários Oblatos de Maria Imaculada, que dirigiam quase metade dos internatos do Canadá, ainda não divulgaram nenhum registro sobre a escola Kamloops, disse ela.

“A triste descoberta aumenta ainda mais a consciência das dores e dos sofrimentos do passado”, disse Francisco.

“Estes momentos difíceis representam um forte apelo para todos nós para nos afastarmos do modelo de colonizador e caminhar lado a lado, no diálogo, no respeito recíproco e no reconhecimento dos direitos e dos valores culturais de todos os filhos e filhas do Canadá.”

O sistema de escolas residenciais separou à força cerca de 150.000 crianças de seus lares. Muitas foram submetidas a abusos, estupros e desnutrição, naquilo que a comissão de verdade e reconciliação de 2015 chamou de “genocídio cultural”.

“Confiemos ao Senhor as almas de todas as crianças mortas nas escolas residenciais do Canadá e rezemos pelas famílias e comunidades autóctones canadenses, destruídas pela dor”, disse o papa antes de pedir à multidão que se unisse a ele em oração em silêncio.

Francisco, que foi eleito papa 17 anos após o fechamento das últimas escolas, já se desculpou pelo papel da Igreja no colonialismo nas Américas.

Mas ele preferiu pedir desculpas diretas ao visitar países e conversar com os povos nativos. Nenhuma visita papal ao Canadá está programada.

Ao visitar a Bolívia em 2015, Francisco se desculpou pelos “muitos pecados graves cometidos contra os povos nativos da América em nome de Deus”.

 

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