Gaviões das Diretas. Crônica de Heraldo Campos

Foto: Fotos Públicas

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03 Junho 2020

"O saudoso cartunista Henfil, na sua sensibilidade à flor da pele, fez esse maravilhoso desenho da época das Diretas Já! para o distante ano de 1984, que parece que está querendo se repetir."

A crônica é de Heraldo Campos,  graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo - USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña - UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo - USP.

O texto é enviado pelo autor.

Reprodução: CacaMedeirosFilho 

Esse desenho ficou conhecido como os “Gaviões do Henfil”.

Era a época da subida nos palanques das forças democráticas, suprapartidárias, da “Democracia Corinthiana” e todos os movimentos sociais que lutavam contra a ditadura militar e clamavam pela volta da democracia e por eleições livres.

Os comícios populares, que explodiam pelo país, visavam o convencimento dos parlamentares para a aprovação da emenda “Dante de Oliveira”, que permitiria a volta plena à democracia, ceifada pelo golpe de 1964.

Lembro que trabalhava no centro de São Paulo, na Rua Riachuelo 115, onde funcionava o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

Nesse tempo, nos reuníamos após o trabalho e íamos caminhando para a Praça da Sé e para o Vale do Anhangabaú participar das megamanifestações e gritar pelas Diretas Já!.

Leonel Brizola, Lula, Ulisses Guimarães, Sócrates, entre outros democratas, enchiam os palanques e exalavam sua fé e o seu gosto pela democracia.

A torcida organizada “Gaviões da Fiel”, que já havia sido homenageada, por tabela, pelo Henfil, com seu belo desenho reproduzido no início dessa pequena crônica, estava presente naquelas manifestações como, também, na que ocorreu neste domingo, 31/05/2020, na Avenida Paulista, na capital de São Paulo.

Lembremos que essa torcida organizada, junto com as de outros times de futebol, lutando hoje pela manutenção da democracia nesse nosso frágil país, teve sua origem no final dos anos 60 do século passado, exatamente para combater a ditadura interna do clube (Corinthians) e a ditadura externa imposta pelo golpe de 64.

Se como bem disse um dia o Henfil: “Enquanto acreditarmos em nossos sonhos, nada será por acaso”, caberia nesse momento difícil que estamos atravessando essa pergunta: “Seria sonhar demais com a cassação da chapa presidencial militar eleita, com uma reforma política já, via Congresso, com cláusula de barreira para os partidos, mandatos de cinco anos, sem reeleição, em uma eleição geral para todos os cargos eletivos, coincidindo, ainda, com o calendário eleitoral de 2020?” (pergunta feita na pequena crônica do autor “Clivagenzinha, Fraturazinha, Rachadinha, Rupturazinha” de 30/04/2020, publicada neste mesmo blog do Cacá Medeiros).

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