Comissão para o diaconato feminino toma forma

Foto: Vatican News

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14 Mai 2020

Professora da Universidade Gregoriana diz que a nova comissão vaticana sobre diáconas deve “se engajar com um espírito inventivo”.

A reportagem é de Claire Lesegretain, publicada por La Croix International, 13-05-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“O trabalho desta segunda comissão que o papa instituiu em 8 de abril é complexo”, diz Giorgia Salatiello.

Professora de filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Salatiello escreveu sobre a nova comissão pontifícia para o diaconato feminino na edição de 09-10 de maio do jornal L’Osservatore Romano.

Esta nova comissão substitui aquela que o Papa Francisco originalmente havia criado em 2016, quando cumpriu uma promessa feita a várias superioras-gerais, representantes das ordens religiosas femininas ao redor do mundo. Esta primeira comissão, porém, não conseguiu entrar em acordo sobre qual exatamente era o papel que as diáconas exerciam na Igreja primitiva.

Salatiello, de 69 anos, afirma que esta nova comissão deve “se engajar com um espírito inventivo”, ao mesmo tempo que deve seguir a tradição a fim de desenvolvê-la. À luz dos dados históricos e de como estes dados são lidos teologicamente, será uma questão de “voltar o nosso olhar para o presente a fim de ler os seus sinais particulares”, diz ela.

Pesquisa histórica precisa

O presidente da nova comissão é o cardeal italiano Giuseppe Petrocchi. O arcebispo de L’Aquila, hoje com 71 anos, já foi elogiado pelo seu trabalho realizado na formação dos leigos.

O secretário da comissão é o Pe. Denis Dupont-Fauville, sacerdote diocesano de Paris e especialista na vida e nos escritos de Santo Hilário de Poitiers. O francês, de 53 anos, elaborou sua tese de doutorado sobre este Doutor da Igreja, do século IV, ainda em 2007 na Universidade Gregoriana sob a orientação do padre jesuíta Luis Ladaria, atualmente prefeito-cardeal da Congregação para a Doutrina da Fé.

Salatiello diz que a tarefa do grupo é orientar a comissão no desenvolvimento de uma “pesquisa histórica precisa”. Ela pontua que a situação das diáconas não foi homogênea ao longo da história. Esta situação variou de acordo com os “contextos e as práticas”. Nos primeiros séculos, elas eram chamadas pelos bispos para auxiliar na liturgia, especialmente nos batismos e na unção de outras mulheres. A questão de se elas recebiam esta tarefa por “ordenação ou por bênção” precisará, então, ser analisada com mais profundidade, como o papa já indicou.

Mas a professora Salatiello alerta que, embora uma pesquisa arqueológica como esta seja extremamente importante, ela não é um “fim em si”. Salatiello diz que a pesquisa deve ser “elevada ao nível teológico; isto quer dizer, iluminada pela Revelação, que não muda, mas que a teologia busca entender melhor”. Ela acredita que não se pode abordar a questão do diaconato feminino sem se considerar a questão mais ampla da situação e do reconhecimento das mulheres na Igreja. Como disse o Papa Francisco na Assembleia do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, não é uma questão de algo que é “exclusivamente funcional”.

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