Tecnologias sustentáveis e design biofílico transformarão a arquitetura e construção pós-pandemia

Fukuoka Acros Tenjin, edifício com jardim no telhado no Japão. | Foto: Kenta Mabuchi/Wikimedia Commons

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02 Mai 2020

Estratégias para cidades menos poluídas e mais resilientes.

A reportagem é de Thais Gonzales, publicada por EcoDebate, 30-04-2020.

A pandemia Covid-19 causou danos massivos à saúde humana e trouxe à tona fragilidades nas cidades. Este é um importante momento para entender o papel da infraestrutura verde nos centros urbanos do mundo. Com estratégias para tornar as cidades menos poluídas e mais resilientes, as tecnologias sustentáveis e o design biofílico transformarão a arquitetura e construção pós-pandemia.

Isso é o que afirma João Manuel Feijó, engenheiro agrônomo e especialista em infraestrutura verde da Ecotelhado. Ele aponta que pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde já mostrou que cerca de 7 milhões de pessoas morreram no mundo por ano devido à poluição.

“Ao longo do tempo, a fumaça causa problemas cardiovasculares e pulmonares. O material particulado que é dissolvido na atmosfera também pode espalhar vírus. Reduzir a poluição minimiza doenças respiratórias já existentes e outras epidemias. Um desafio que podemos encarar ampliando áreas verdes”, explica Feijó.

A recomendação não é mudar de região para fugir da poluição. É mudar a cidade por meio de projetos verdes. Segundo ele, nesse contexto, a arquitetura e construção devem criar espaços resilientes e biofílicos. A biofilia significa amor à vida. É promover a reconexão com a natureza. Para isso, existem tecnologias sustentáveis focadas em melhorar a qualidade de vida das pessoas e do planeta.

“Desenvolver hortas urbanas, telhados verdes com captação de água da chuva, paredes verdes em fachadas, cisterna para drenagem urbana, vegetação para pets em varandas é planejar ambientes prontos para lidar com fatores que fogem do nosso controle. Essas são algumas técnicas de design biofílico importantes no presente e serão ainda mais no futuro”, acrescenta.

Em sua casa, em Porto Alegre, o engenheiro tem telhado verde que capta e reusa água da chuva, onde também colhe hortaliças para o consumo da família. Faz tratamento de esgoto e decomposição de material orgânico usando a compostagem, uma forma de reduzir lixo. Há paredes verdes que atraem insetos, como borboletas e joaninhas, criando um ambiente agradável e resiliente. Outros benefícios dos sistemas verdes é conforto térmico e eficiência energética.

“Com certeza, o mundo não será mais o mesmo depois dessa pandemia. As pessoas estão vivenciando outras experiências de trabalho e estudo em casa. Nessa nova realidade, precisamos transformar áreas comuns e telhados em espaços verdes que nos conectam com a natureza e o bem-estar”.

Edifícios comerciais e residenciais novos e antigos podem fornecer reciclagem e coleta de água, gerenciamento de resíduos, limpeza ou filtragem de ar. Esses conceitos, diz ele, não são novos! Agora, a necessidade de boas práticas faz mais sentido com a mudança de consciência que muitos já estão tendo.

“Estamos ampliando a nossa conscientização de que os recursos naturais são escassos. Precisamos cuidar do meio ambiente e ser resilientes. Assim, teremos mais saúde e estaremos mais preparados para outros desafios da vida moderna”, finaliza o engenheiro João Manuel Feijó.

 

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