“Depois do assassinato de Ignacio Ellacuría e companheiros, Czerny foi dos primeiros que se solidarizou”. Entrevista com José María Tojeira, ex-reitor da UCA de El Salvador

Michael Czerny. Foto: Religión Digital

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04 Setembro 2019

“Depois de sair de El Salvador, sempre teve uma grande relação com a universidade”, recorda o padre jesuíta José María Tojeira, ex-reitor da Universidad Centroamericana - UCA. “Não falhou de mandar mensagem em nenhum dos anos de aniversário dos mártires e sempre esteve muito presente entre nós. Realizou um trabalho esplêndido!”

A reportagem é de Manuel Cubías, publicada por Vatican News, 03-09-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Michael Czerny nasceu na então Tchecoslováquia em 1946 e entrou na Companhia de Jesus em 1962. Foi ordenado sacerdote católico dez anos depois, em 1973. Trabalhou no campo do apostolado da justiça social no Canadá, América Central e África, se ocupando principalmente dos direitos humanos, da saúde, da paz, da ecologia e da AIDS.

Em 1979, em Toronto, fundou o Centro Jesuíta para a Fé e a Justiça Social e o dirigiu até 1989 quando, depois do assassinato dos jesuítas na Universidad Centroamericana (UCA), se deslocou a San Salvador onde, em 1999, ocupou o cargo de Vice-reitor de Projeção Social da UCA e diretor do Instituto de Direitos Humanos do mesmo centro.

Desde 2010 trabalhou no Vaticano, centrado na área dos migrantes e refugiados. Escreve e fala vários idiomas com fluidez, trabalha para construir vínculos e pontos, especialmente com a Igreja, e para mostrar a outros como desenvolver novas formas de cooperação.

José María Tojeira, S.J., relata a presença de padre Czerny na América Central

O padre Tojeira conta que, desde antes de 1989, Michael Czerny já havia se relacionado com jesuítas da América Central; também relata sua disponibilidade para colaborar com os jesuítas centro-americanos que atravessavam uma situação muito difícil depois do assassinato de seis padres jesuítas e duas colaboradoras:

“Logo que ocorreu o assassinato dos jesuítas ele foi um dos primeiros que vieram com uma delegação de solidariedade. Nesse momento estávamos esperando a visita do padre-geral e queríamos pedir ao padre-geral que apresentasse uma solicitação de voluntários para virem trabalhar na América Central. E Michael Czerny nos disse que ele queria vir para cá e tinha se oferecido. E nós gostamos, porque já o conhecíamos”.


O martírio dos jesuítas na UCA, em 1989. Foto: Religión Digital

Disponibilidade

Relata Tojeira que Czerny foi dos primeiros jesuítas a chegar à América Central para apoiar o trabalho da UCA. Foi-lhe atribuído o serviço da Vice-reitoria de Projeção Social da universidade e a direção do Instituto de Direitos Humanos da UCA.

Tojeira destaca que Czerny se centrou em apoio ao caso dos seis jesuítas assassinados:

“Nesse caso, levou a parte internacional. A parte nacional foi dirigida pela cúria provincial. Ele se encarregou do internacional, inclusive trouxe algumas pessoas que deram declarações em júri, especialistas internacionais, Rodolfo Matarollo, do Uruguai; esteve também um advogado da Argentina que havia trabalhado com muita intensidade nos casos de defesa dos direitos humanos durante a ditadura de Videla e dos militares. Também um coronel argentino que veio dar um apoio técnico”.


Michael Czerny, sj. Foto: Religión Digital

Com os jesuítas em formação

O padre José María acrescentou que o padre Czerny também colaborou acompanhando uma pequena comunidade de jesuítas, estudantes de teologia que viviam em um bairro próximo à universidade. E destacou:

“Depois de sair de El Salvador, sempre teve uma grande relação com a universidade. Não falhou de mandar mensagem em nenhum dos anos de aniversário dos mártires e sempre esteve muito presente entre nós. Realizou um trabalho esplêndido!”

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