Homossexualidade: “Deus me criou assim”. A ciência desmente a ideologia

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03 Setembro 2019

Um estudo recente desmente a explicação “Deus me fez assim”. O papel da genética na orientação sexual foi reduzido para 1%. Cultura e ambiente pesam mais. Com todo o respeito à ideologia.

O comentário é de Simone M. Varisco, publicado por Caffè Storia, 30-08-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Não existe nenhum “gene da homossexualidade”. O que orienta o comportamento sexual, de fato, são o ambiente e a cultura, com um papel decisivamente limitado da genética. Quem demonstrou isso foram os resultados de um estudo recente publicados na revista Science. Não se trata de uma pesquisa qualquer, mas sim da mais ampla realizada até agora sobre o tema, graças aos esforços de um consórcio internacional de pesquisa coordenado pelo cientista italiano Andrea Ganna, do Broad Institute do MIT e Harvard, Estados Unidos.

O estudo destacou cinco variantes genéticas ligadas de modo estatisticamente significativo a comportamentos homossexuais, mas conectadas também aos hormônios sexuais, ao olfato e à calvície. Mesmo no seu conjunto, no entanto, eles explicariam menos de 1% da variabilidade no comportamento sexual.

“Estudos anteriores haviam sugerido a presença de sinais genéticos fortes que poderiam levar a prever o comportamento sexual: um dos mais conhecidos apontava para o cromossomo X, mas, no nosso estudo, com uma amostra 100 vezes maior, demonstramos que não é assim”, disse Ganna à agência Ansa.

Um resultado interessante também para desmentir uma certa linha ideológica que afirma não apenas que a homossexualidade é inata em alguns homens e mulheres, mas que é até “desejada por Deus”. “Foi Deus quem fez você assim”, palavras atribuídas midiaticamente até ao Papa Francisco – e nunca confirmadas oficialmente – ao término de encontros privados com pessoas homossexuais. Em vez disso, são decididamente menos obscuras as palavras do papa na audiência geral do dia 15 de abril de 2015: a ideologia de gênero é um “passo atrás” para a humanidade, porque “a remoção da diferença é o problema, não a solução”.

Em suma, aonde não chega a natureza, chega o ser humano. Isto é, o que pesa decisivamente mais sobre a orientação sexual são o ambiente (por exemplo, o contexto familiar e social), a história da vida e a cultura dominante. Portanto, vontade de Deus ou produto da ideologia? A resposta não é – como já não era – absolutamente óbvia. Uma reflexão de grande relevância na iminência do “Tempo da Criação”, um mês ecumênico de oração e ação dedicado à salvaguarda da nossa casa comum, no horizonte daquele desenvolvimento humano integral tão caro a Paulo VI e aos seus sucessores.

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