EUA. 800 menores são apreendidos por dia na fronteira com o México

Caravana de migrantes centro-americanos que partiram rumo aos EUA. Foto: Plaza Pública

Mais Lidos

  • “Discursos desse tipo ameaçam a democracia de forma evidente, são discursos que criam desconfiança nas instituições, em um país como o Brasil, onde a democracia não voltou há muito tempo”, afirma o pesquisador

    Polarização política brasileira e o extremismo disfarçado de encanto. Entrevista especial com Paolo Demuru

    LER MAIS
  • Lula em reunião do G-7: "Eu nunca fui de esquerda"

    LER MAIS
  • Pesquisadores refletem sobre possíveis riscos e efeitos do El Niño em 2026 à luz das enchentes de 2024 e das ações realizadas pelo poder público nos últimos dois anos

    El Niño no RS: probabilidade de cheias é dobrada, mas há incerteza sobre a magnitude do fenômeno climático. Algumas análises

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

30 Mai 2019

Dados oficiais mostram que cerca de 169 mil jovens foram apreendidos nos últimos 7 meses após atravessar a fronteira do México com os EUA, uma média de 800 por dia – mais da metade tem 12 anos ou menos. Os menores representam quase 37% das travessias, uma proporção também crescente.

“Nunca vimos nada parecido”, disse John Sandweg, diretor da agência de imigração do governo Barack Obama. A presença das crianças atrapalhou o esquema montado nos últimos anos pelo Congresso e pela Casa Branca para capturar e deportar imigrantes rapidamente. Hoje, as cenas na fronteira envolvendo crianças são surreais: um menino capturado em um traje de Tartaruga Ninja, uma menina com uma boneca rosa e agentes de fronteira alimentando bebês.

A informação é publicada por O Estado de S. Paulo, 29-05-2019.

Os imigrantes dizem que entram nos EUA porque a seca está destruindo suas colheitas, não podem pagar suas contas ou suas crianças são ameaçadas por gangues. Em Yuma, no Arizona, famílias começaram a entrar em grande quantidade. Em desespero, um abrigo foi montado em um shopping, em março, acreditando que seria temporário. No início, eram 50 pessoas. Depois, 150. Hoje, os números dobram a cada semana.

Igrejas emitiram apelos urgentes por fraldas, leite em pó, livros para colorir e lápis de cera. Trabalhadores humanitários vieram de Washington. O prefeito de Yuma, que se opõe à imigração ilegal, declarou emergência e implorou que a Casa Branca ajudasse, porque o fluxo de pessoas era diferente de tudo o que a cidade já viu. “Não estou interessado em ver famílias desabrigadas e famintas vagando pela cidade”, disse o prefeito republicano, Douglas Nicholls.

Em Yuma, metade das apreensões neste ano foi de crianças – o maior porcentual dos EUA. Os imigrantes chegam empoeirados e exaustos, dizendo que está mais fácil do que nunca entrar nos EUA. Como os menores não podem ficar presos por muito tempo, eles levam crianças e se entregam, para que a família seja libertada em seguida ou enviada para um abrigo. “Eu quero estudar”, disse César González, de 13 anos, da Guatemala. “Depois, poderei trabalhar para ajudar meu pai.”

As famílias estão se dirigindo cada vez mais para o Deserto do Arizona, porque percebem que o foco do governo é a fronteira do Texas. Além disso, o Estado tem menos locais de detenção, o que significa que eles são libertados mais rapidamente.

Embora os US$ 4,5 bilhões em gastos fronteiriços propostos por Donald Trump incluam ajuda humanitária e fiscalização, os democratas temem que a abordagem não se direcione adequadamente às crianças, chamadas de “buchas de canhão na campanha de Trump” pelo deputado democrata Raul Grijalva. “Nunca vi a situação tão ruim”, disse. “As crianças são parte de uma eleição presidencial.”

Leia mais