Chile. Investigadores apontam 158 católicos em inquérito de abuso sexual infantil

Foto: Wikiwand

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04 Agosto 2018

Promotores pedem ajuda do Vaticano para investigar nove autoridades da Igreja suspeitas de atos de pedofilia.

A reportagem é de Constance Vilanova, publicada por La Croix International, 03-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

A Igreja Católica do Chile está em turbulência depois que promotores que investigam casos de abuso sexual de crianças e adultos datados da década de 1960 identificaram ligações com 158 católicos, incluindo bispos, padres e leigos.

Em 1º de agosto, os promotores chilenos também pediram à Santa Sé que divulgasse os arquivos de nove suspeitos da Igreja.

“O procurador nacional, Jorge Abbott, assinou hoje um pedido ao Vaticano solicitando os arquivos canônicos relativos às partes acusadas, que são objeto de uma investigação pública sobre questões de abuso sexual envolvendo padres ou leigos ligados à Igreja Católica”, diz a declaração do Ministério da Justiça.

"O Vaticano muitas vezes confia em seu status como um estado soberano para se recusar a liberar esses arquivos canônicos", disse o padre Pierre Vignon, juiz do tribunal eclesiástico na diocese de Valence, ao La Croix. “Contudo, no atual contexto chileno, não se pode mais se recusar ajuda ao sistema judiciário”, acrescentou.

"Uma recusa do Papa implicaria que ele não quer que a verdade seja conhecida", disse ele. "É uma situação paralisante para o Vaticano."

Bispos chilenos "refletem profundamente" sobre o escândalo

No final de julho, o sistema de justiça chileno divulgou pela primeira vez uma série de estatísticas sobre casos de abuso sexual e pedofilia que abalaram o país nos últimos anos. Os promotores identificaram 266 vítimas, incluindo 178 menores.

Em maio, o Papa Francisco convidou várias dessas vítimas para Roma e convocou uma assembleia geral dos bispos chilenos. Respondendo à crise de pedofilia e ao silêncio que antes reinava sobre o assunto, toda a conferência episcopal apresentou sua renúncia ao Papa.

Nesta semana, os bispos chilenos também estão realizando uma assembleia extraordinária para “refletir com profundidade” sobre as razões do escândalo dos abusos sexuais em um esforço para “superar” a crise.

"Queremos chegar a um acordo com os promotores para transmitir as informações relevantes", disse Fernando Ramos, secretário-geral da conferência episcopal.

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