Em meio a alegações de abuso, religiosas exigem remoção de bispo indiano

Foto: Pixabay

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17 Julho 2018

Mais de 80 irmãs católicas e outros líderes, pediram que um bispo acusado de estuprar uma freira em 2014 seja removido de sua posição, no estado indiano de Punjab.

A reportagem é de Philip Mathew, jornalista residente de Bangalore, no sul da Índia, editor o Asia Pacific Ecumenical News, publicada por Global Sisters Report, 16-07-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

As irmãs faziam parte de um grupo de 167 signatários, que também incluíam padres, irmãos, leigos e ativistas sociais ligados à Igreja. Eles pediram ao cardeal Oswald Gracias, de Mumbai, e ao arcebispo Giambattista Diquattro, núncio apostólico na Índia, que aconselhem o Papa Francisco a tirar o bispo de Jalandhar, Franco Mulakkal, de seus deveres pastorais.

"Quando um homem que representa Deus para as pessoas é um ofensor sexual, a fé no Deus que ele representa é abalada até o fundo", advertiu o grupo, em uma carta de 12 de julho à Gracias. Uma carta semelhante foi enviada ao núncio.

A irmã supostamente abusada, que está na faixa dos 40 anos, pertence aos Missionários de Jesus, na Diocese de Jalandhar, onde ela era uma antiga superior do convento.

Ela prestou queixa à polícia no dia 29 de junho de ser estuprada em maio de 2014. Depois disso, foi abusada sexualmente várias vezes nos dois anos seguintes por Mulakkal, de 54 anos, que é o patrono da congregação. Ela alega que grande parte do abuso ocorreu em uma pousada nos campos da congregação em Kuravilangad, em Kerala, o estado natal da irmã e do bispo.

Poucos dias antes da freira apresentar a queixa, Mulakkal também fez alegações de que ela e seu irmão estavam o ameaçando, depois que ele tomou medidas disciplinares contra ela. O oficial de relações públicas diocesano disse que ela foi removida de seus cargos depois que Mulakkal ordenou uma investigação sobre suas supostas ações.

A polícia de Kerala está investigando as alegações e contra-alegações.

Os padres da diocese afirmam que os casos resultam de brigas ao longo dos anos, depois que a irmã se recusou a participar de uma campanha contra um padre que se opõe a Mulakkal, de acordo com relatos da mídia.

"Com o acusado bispo sendo mantido em sua posição na diocese de Jalandhar, continuarão sendo corroídos a fé do povo e a credibilidade da Igreja em implementar sua política de tolerância zero a questões de abuso sexual”, escreveram líderes católicos e ativistas.

A cobertura de argumentos e contra-argumentos "transformou a Igreja em um objeto do ridículo" no país, observou a carta aos bispos.

A carta à Gracias, presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Índia, pediu que ele aconselhasse os bispos a divulgar e criar uma conscientização adequada das diretrizes da conferência divulgadas em 2017 para lidar com o assédio sexual no local de trabalho. Um pedido similar veio na primavera e no verão, quando vários casos de abuso sexual envolvendo padres surgiram na Índia. Este é o primeiro caso de abuso sexual envolvendo um bispo no país.

Além disso, o grupo pediu que fosse dada maior atenção à escolha dos candidatos ao sacerdócio, bem como à sua formação no seminário.

A carta citava atitudes patriarcais, que promovem condescendência e até mesmo agressão contra aqueles considerados 'inferiores', além de clericalismo.

De acordo com a carta, o abuso sexual não é, em última instância, sobre sexualidade ou celibato, mas sobre o uso grosseiro do poder desproporcional atribuído ao clero.

Os signatários da carta pediram à Gracias a garantia de que cada diocese na Índia cumprisse com a lei criminal local, para tratar de casos de abuso de menores e assédio sexual de mulheres na Igreja.

A carta pedia que as políticas para prevenir tais casos de abuso fossem disseminadas aos fiéis, às partes interessadas da Igreja e às instituições relacionadas, e que tais políticas fossem implementadas.

Jessy Kurian, advogada da Suprema Corte da Índia, disse que pelo fato de Mulakkal ser o patrono da congregação religiosa, à qual a suposta vítima de estupro pertence, outros membros da congregação da freira temem falar abertamente sobre o caso, devido ao potencial de represália.

Kurian, membra da congregação de St. Ann of Providence, Secunderabad, escreveu em uma declaração à mídia que, para ter uma investigação imparcial e independente, Mulakkal deve renunciar ou ser suspenso pela autoridade da Igreja.

"Eu sei que sou inocente, mas isso não é suficiente. A verdade também é minha responsabilidade agora, e será revelada na investigação policial", disse Mulakkal, a um repórter de TV.

Ele rejeitou relatos de que pode deixar o país para evitar a prisão.

"Tudo isso é propaganda. Estou aqui na diocese realizando minhas tarefas diárias", ressaltou ele.

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