Chile. Com a intervenção do Papa “se resolverá esta história dolorosa”

José Manuel Vidal (Fonte: Religión Digital)

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01 Fevereiro 2018

Em março de 2016, em sua primeira visita ao Chile, o vaticanista espanhol José Manuel Vidal conversou com La Tercera sobre a marca que o Papa Francisco tentava dar ao Vaticano. Nessa oportunidade, o sacerdote dispensado e diretor do influente portal Religión Digital reconheceu que o tribunal criado pelo Pontífice para julgar bispos acusados de acobertar padres “não estava avançando”. Por isso, agora, considera “excepcional” a nomeação do arcebispo maltês Charles J. Scicluna para investigar o caso Barros.

A entrevista é de Fernando Fuentes, publicada por La Tercera, 31-01-2018. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Que sinal o Papa está dando com o envio de Scicluna ao Chile? Tal tipo de designação é pouco habitual?

É uma nomeação excepcional, porque não é de costume se fazer com frequência e pela pessoa nomeada para reunir informação, um dos máximos especialistas no tema de abusos e um dos mais significativos “varredores de Deus” e defensor das vítimas.

Considera que o Papa teve uma mudança de opinião, em seu retorno ao Vaticano, que o levou a enviar um representante ao Chile? O que lhe motivou a tomar esta decisão?

De duas uma: ou ao Papa chegaram novos indícios ou provas do caso Barros ou quer deixar claro aos chilenos que está disposto a ceder e a dar seu braço a torcer, sempre que se encontrem evidências a respeito. Por outro lado, Scicluna também poderia cumprir o papel de mediador com Barros e o aconselhar, a partir de sua ampla experiência nestes assuntos, que renuncie, para prestar um serviço à Igreja.

Que experiência Scicluna possui em investigar tais tipos de casos?

Charles Scicluna foi o encarregado de investigar Marcial Maciel e, graças a ele e suas investigações, foi possível condenar o fundador dos Legionários de Cristo. Durante todo o pontificado de Bento XVI, foi o máximo responsável em colocar em andamento a dinâmica da “tolerância zero” na Igreja e em abandonar a do acobertamento. Participou também ativamente no processo canônico contra o chileno Fernando Karadima e, portanto, conhece perfeitamente e em profundidade o caso do padre abusador chileno.

Como definiria o perfil de Scicluna? É próximo ao Papa?

Scicluna é um bispo “franciscano”. De fato, foi o próprio Francisco que o nomeou arcebispo de Malta. Scicluna é um dos poucos bispos do mundo que se alinhou em favor da Amoris Laetitia, desde o início. Sua sintonia com o Papa Francisco é absoluta.

O que se pode esperar da investigação de Scicluna?

Pode-se esperar uma investigação a fundo e em profundidade, sem interferências, nem da cúpula episcopal chilena, nem do núncio Ivo Scapolo e, portanto, uma investigação na qual, por fim, se chegue ao fundo do assunto Barros, caia quem cair. Acredito que, com sua intervenção, se resolverá esta história dolorosa da Igreja chilena, com a eventual saída de Barros de Osorno, seja porque as evidências o condenem, seja por fazer o maior bem que, neste momento, a instituição a qual o prelado diz servir pode realizar. 

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