Rejeição da denúncia contra Temer ameaça democracia e mostra 'força bruta do dinheiro', diz Roberto Romano

Foto: Agência Brasil

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26 Outubro 2017

O professor de ética e filosofia Roberto Romano, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), vê como ameaça à própria democracia brasileira o resultado da votação na Câmara dos Deputados que arquivou a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). "O resultado mostra que efetivamente estamos nos últimos momentos do Estado Democrático de Direito", afirmou.

A reportagem é de Guilherme Azevedo e publicada por Uol, 25-10-2017.

Para Romano, o arquivamento da primeira denúncia, em agosto, e o de agora mostram que "os operadores do Estado não estão mais em condições mínimas de seguir a liturgia dos cargos", como determina a Constituição.

O professor nota a prevalência, no resultado, do "jogo da força bruta do dinheiro", na "cooptação [compra]" do voto dos deputados federais pelo governo Temer. "Não vi tamanha desfaçatez nem no mensalão", comparou Romano, referindo-se ao escândalo da compra de apoio de congressistas em meados dos anos 2000, durante a Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Outro fator que demonstra a ameaça à democracia brasileira é a ausência de participação do eleitor na definição do destino político do país. "O cidadão está totalmente afastado [do nível decisório] e desconfiado dos operadores do Estado", aponta. "O resultado desta quarta-feira é uma volta a mais na descrença popular no sistema representativo [do Congresso].".

Para o professor, o momento se agrava devido à falta de partidos organizados de verdade e de lideranças políticas. Ele vê o PMDB como uma facção que tomou o poder, o PSDB como um partido dividido e o PT dependendo única e exclusivamente de Lula, agora às voltas com problemas com a Justiça.

"Governo das cotoveladas”

Quanto ao futuro de Temer, Romano diz que será o do "governo das cotoveladas". Um governo sem respaldo, sem respeito, em que prevalecerá o tamanho do cotovelo, a força bruta, do interlocutor. "Se as crises antes eram anuais, semestrais, mensais, agora serão diárias. Temo pelo futuro, inclusive pela tradição de saídas desastrosas brasileiras para crises na história", opina, se referindo às Forças Armadas.

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