O papel da esquerda quando o Rei está nu

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

24 Abril 2017

“O papel de uma esquerda transformadora deveria ser o de aproveitar a Lava-Jato para renovar a si e a suas práticas, e defender a reestruturação do sistema político”, afirma Vladimir Palmeira, ex-deputado constituinte e professor da FACHA, em artigo publicado por O Globo, 21-04-2017.

Eis o artigo.

A divulgação das delações dos executivos da Odebrecht revelou o que já estava latente: o sistema político brasileiro está podre. Um dos delatores foi direto: “Não há quem tenha sido eleito sem caixa 2.” Mesmo quem não pegou diretamente, recebeu via partido.

Segundo as delações, Temer foi anfitrião e participou da reunião, junto a Cunha, dos acertos para o PMDB. Um terço de seus ministros será investigado agora pelo STF. Lula contrariou interesses da Petrobras (aquela que no slogan petista é defendida para defender o Brasil) para favorecer o Grupo Odebrecht no setor petroquímico. Aécio, Alckmin e Serra, do PSDB que dizia que era tudo obra do PT, estão também encalacrados. Até ao Fernando Henrique a coisa chegou. Um terço do Senado e um quinto da Câmara também estão na lista, que engordará se Cunha resolver abrir o bico.

Desse emaranhado, surgem dois discursos para tentar amenizar os fatos: 1) “Se todos faziam, não há de se crucificar ninguém. Fazia parte do jogo, e só podia entrar nele quem topasse as regras.” 2) “As delações são fruto de abusos do Poder Judiciário. Não podem servir de prova para nada.”

Ora, o fato de a corrupção ser generalizada não significa que seja menos grave. Pelo contrário. Em troca das doações, a Odebrecht e demais empresas envolvidas nos esquemas foram agraciadas com projetos de lei, medidas provisórias e tráfico de influência, em uma engrenagem de privatização da coisa pública e deturpação da vontade popular expressa nas urnas que envolve todos os partidos em alguma instância de poder. Sobre os abusos de juízes e promotores, é fato que eles existem e devem ser denunciados. Assim como não se pode negar que há uma instrumentalização das investigações por parte da grande mídia para perseguir mais a uns (Lula e PT à frente) do que a outros. Mas isso não invalida os fatos concretos que estão sendo delatados, e que são o centro da constatação de que o sistema político brasileiro apodreceu completamente. Ou alguém minimamente informado duvida da verossimilhança dos fatos narrados?

Em vez de se abrigar sob o manto do “todos fizeram” ou do “isso tudo é fruto de abuso dos juízes e perseguição da grande mídia”, como faz hoje o PT, assumindo uma postura conservadora que, no limite, apregoa que fique tudo como está (e que se materializa no noticiado acordão entre os ex-presidentes e o atual), o papel de uma esquerda transformadora deveria ser o de aproveitar a oportunidade gerada pela Lava-Jato, que expôs para todos que o rei está nu, para renovar a si e a suas práticas, e defender a completa reestruturação do sistema político brasileiro, no bojo da discussão de um projeto de país para o Brasil do século XXI.

O primeiro passo dessa caminhada? A cassação do atual mandato presidencial pelo TSE e a imediata convocação de eleições diretas para a sucessão de Michel Temer. Pois este Congresso que aí está, por todos os fatos revelados, não tem a menor legitimidade para eleger o sucessor do presidente cassado.

Leia mais